sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A LEI QUE JESUS OBSERVAVA

No tempo de Jesus havia uma gama imensa de leis, isto é, mais de setecentas, para orientar o povo a respeito do que podia e daquilo que não podia ser feito por um judeu ortodoxo. Mais de quatrocentas eram negativas e as demais eram positivas. Notem a predominância do negativo e proibitivo.  Claro que havia os que punham em prática todas elas, pelos menos ao pé da letra, e eram chamados de ortodoxos, mas a maioria do povo observava algumas e ignoravam as demais, como acontece em todas as civilizações.
Como judeu Jesus nasceu e cresceu nesse ambiente permeado por essa gama de normas e orientações de vida. Porém, Ele não se deixou enredar por elas não. Ele foi crescendo em idade, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. Pouco a pouco foi apresentando a lei que ele estava disposto à por em prática. Para concretizá-la mostrou a disposição de relativizar a toda lei ou orientação judaica que não favorecia a sua realização.
Desde muito jovem estava no templo discutindo com os escribas e fariseu a respeito da lei que o seu Pai queria que os judeus e todos os demais povos pusessem em prática. Podemos imaginar os embates que surgiram entre ele e aqueles doutores, que sabiam tudo e mais um pouquinho das leis judaicas. Conheciam a lei pela lei, mas muitos deles ignoravam o Espírito da Lei, que teve o berço em Moisés.
Em torno dos seus 30 anos, após ser batizado por João Batista, Jesus iniciou a vida pública e logo foi revelando qual lei o Pai queria que pusesse em prática. Em primeiro lugar ele se encarnou numa pessoa humana para assinalar que o centro do mundo era o homem e não as normas e leis. No dia-a-dia foi revelando que o amor às pessoas era a lei que o Pai lhe havia confiado realizar. Por conta disso, não possuía uma agenda, mas sim, as necessidades dos seus irmãos e irmãs ao seu redor.
Na prática, estava sempre disposto a atender as necessidades dos que o rodeavam e mesmo dos que estavam distantes, quando alguém o suplicava, como no caso do servo do centurião romano. Para fazer bem às pessoas não havia hora, dia ou noite, sábado ou domingo. Foi mostrando que a pessoa está acima da lei, que a lei deve estar a serviço da pessoa e não o contrário. A lei é ferramenta para o amor à pessoa, uma vez que Deus não precisa do nosso amor. Ele é autossuficiente e não necessita das nossas orações. Nós precisamos nos conectar a Ele para recebermos a ceiva amorosa, como o ramo a recebe do tronco, que nos possibilita fazer leis que ajudem a melhor amar a pessoas, particularmente as mais necessitadas.
Portanto, queridos leitores, a lei que Jesus estava disposto a por em prática era o amor às pessoas. Amor esse que o levava a ter atitudes duras com os judeus que colocavam a lei acima do bem das pessoas. Não tinha dúvida de infringir a lei judaica do sábado que não permitia curar pessoas naquele dia, mas permitia tirar um boi que caia na cisterna (cf. Lc 14,1-6). Jesus fazia curas, expulsava demônios, multiplicava pães, acalmava tempestades, ressuscitava mortos e fazia toda sorte de bem em qualquer dia da semana, revelando que a lei que agrada ao Pai era o amor serviçal e libertador direcionado aos seus filhos e filhas.

Queridos leitores! Peçamos a graça de assimilar bem essa verdade revelada por Jesus no decorrer de toda a sua vida. Graça essa acolhida por S. Paulo, particularmente na estrada de Damasco, e incentivada na carta aos Filipenses quando a eles escreveu dizendo: “E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernir o que é melhor” (Fip. 1,9s). Por outro lado, não tenhamos medo de por em cheque todas as leis e normas que dificultam esse amor serviçal e libertador dos nossos irmãos e das nossas irmãs. 





Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ENTRAR PELA PORTA ESTREITA


O ser humano, normalmente, gosta de portas amplas e caminhos bem folgados. Claro que isso, a princípio, é um desejo bom, pois não precisamos nos enroscar nas laterais das portas ou esbarrar nos outros ao percorrer o caminho. Creio, porém, que não é nesse sentido que Jesus está falando. O que mesmo Ele quer que aprendamos e coloquemos em prática?
Olhando para o conjunto da Liturgia da Palavra (Ef 6,10-20; Lc 13,31-35) entendemos que o caminho largo e espaçoso é o caminho do egoísmo e da maldade, que todos nós conhecemos a sua amplitude e a abundância de frutos amargos que azedam a nossa vida e a vida do povo. Quantas famílias e comunidades estão doentes e vivem um verdadeiro inferno por ter optado por esse caminho aliciador, a princípio, mas que estraga e amarga a convivência familiar e social!
O caminho estreito e apertado é o caminho do amor e da bondade. Caminho este que deveria ser aprendido através da educação familiar, escolar e profissional. Claro que a chamada Evangelização Permanente proposta pela nossa Igreja visa, sobretudo, apontar esse caminho virtuoso, que requer esforço permanente para percorrê-lo com êxito. Em outras palavras o Caminho Estreito é o próprio Jesus, que se apresenta como Caminho para Deus (cf Jo 14,6).
Portanto, escolher o caminho estreito é escolher seguir os passos de Jesus com todas as exigências que isso implica. Envolve tomar a própria cruz e seguir o Mestre Jesus, como fez o cego Bartimeu. Jogou fora a mendicância e as vantagens da condição de mendigo e foi seguindo Jesus pelo Caminho. Tomar a cruz da própria vida e caminhar no seguimento de Jesus, obediente ao Pai, produzindo toda sorte de frutos bons que resultam em vida e saúde para produtor e para todos os que se alimentam deles.
Na carta aos cristãos de Éfeso, Paulo afirma que quem percorre o caminho estreito honra seu pai e sua mãe e com isso garante vida longa sobre a terra e felicidade (cf. Ef 6, 2s). Mais adiante afirma que o bem que cada um fizer, não importa a sua opção vocacional, isto é, casado, solteiro ou consagrado, retornará sobre ele. Cairá como bênção do Senhor sobre si, a princípio. Além disso, como somos parte viva do Corpo Místico do Senhor, claro que atingirá a toda a Igreja, fazendo-a crescer em alegria e entusiasmo.
Claro que muitos começam pela porta estreita através da catequese, dos cursos de formação, dos encontros de jovens e casais, mas pouco a pouco vão deixando esse caminho do amor e da bondade e se deixam arrastar pelo largo caminho do egoísmo e da maldade. Caminho este que afasta a pessoa de Deus e a conduz para bebedeiras, drogadição, roubo, preguiça, infidelidade matrimonial, desrespeito, exagero na comida, ativismo, ganância, inveja, vazio interior, em suma, para o inferno em vida.

O resultado do caminho que escolhemos será a comunhão com Deus e a participação no banquete do Céu, para aqueles que escolheram seguir os passos de Jesus e a frustração eterna para os que preferiram afastar-se do Caminho estreito, que é Jesus, para seguir o caminho do egoísmo e da maldade. Diante disso, importa que envidemos esforços para educar bem os nossos filhos e paroquianos a fim de que possam optar por Jesus, Caminho e Verdade que conduz ao banquete da Vida em Deus. 





Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

terça-feira, 28 de outubro de 2014

CHAMADOS PELO NOME

Quando alguém se dirige a nós dizendo: Gente! Vejam aquela paisagem. Sentimo-nos pouco motivados a olhar para o quadro indicado com um chamado assim. Parece que não estão falando diretamente a nós, mas a um todo, com sabor de abstrato. Não liga as pessoas àquela realidade indicada. Em contrapartida, quando alguém nos chama pelo nome e nos aponta a paisagem, parece que somos vinculados a ela e nos fala pessoalmente a tal ponto de prender-nos a atenção.

Jesus, o Mestre dos mestres, conhecia bem o coração do ser humano, por isso, quando chamava o fazia pelo nome e não genericamente. Mirava a pessoa e a chamava pelo nome a fim de vincula-la à missão que lhe propunha. A pessoa ao ouvir o seu nome entendia claramente que o chamado era para ele e não para alguém outro no meio da multidão. Ao ser olhada nos olhos e chamada pelo nome, a pessoa se sentia escolhida, se sentida amada, se sentia digna de confiança e capacitada para uma missão.

Em Lc 6,12-19 Jesus antes de chamar os doze, passou a noite em oração a Deus. Procurou ouvir a voz do Pai, antes de chamar os 12 que, junto com ele, a pedra de fundamento, lançariam as bases da Igreja. Aqui Jesus nos ensina que antes de escolher pessoas para assumirem ministérios na comunidade necessitamos dobrar os joelhos a fim de colocar-nos à escuta do Pai. Não podemos mais usar apenas as nossas habilidade humanas. Temos necessidade da luz de Deus a fim de edificar a Igreja de Deus. Caso contrário, edificamos sobre a areia e não sobre a rocha, Jesus Cristo.

Conforme mencionamos acima, Jesus não fez um chamado genérico, mas olhou para as pessoas e a elas dirigiu o chamado. Olhou para Pedro, para André, para Tiago, para João, para Levi... e os chamou. Chamou-os pessoalmente. Chamou-os pelo nome, isto é, pela sua identidade indelével, recebida desde o berço e muitos, desde o ventre de suas mães.

Os apóstolos assim chamados pelo nome se sentiram pessoalmente olhados por Jesus. Olhados com um olhar de afeto e ternura. Sentiram-se envolvidos pelo amor de Jesus. Sentiram-se escolhidos e amados em profundidade e não apenas pelas habilidades ou belezas externas. No chamado fizeram uma experiência do amor de Jesus. No início da vida religiosa dos apóstolos está uma experiência do amor de Jesus.

No chamado dos doze estamos nós também, pois os doze representam as colunas da Igreja de Jesus, em continuidade com as doze tribos de Israel e as doze portas do templo dos Judeus. Nos doze, chamados pelo nome, estamos também nós, que fomos escolhidos por Deus para nascer. Antes que nós estivéssemos no ventre da nossa mãe, Deus já nos havia escolhido e amado. Fomos escolhidos e chamados pelo nome. Fomos escolhidos e chamados nominalmente para fazer parte da Igreja de Jesus Cristo. Como pedras vivas, entramos na construção desse edifício espiritual, que se eleva sobre Jesus e as doze colunas apostólicas.

Portanto, meu querido irmão e minha querida irmã, nós somos amados de Deus Pai. Ele nos escolheu para existirmos. Não foram os nossos pais a nos escolher. Eles apenas puderam nos acolher ou nos rejeitar. Deus nos escolheu e nos chamou pelo nome para que não tenhamos dúvida do seu amor, mesmo que tenhamos dúvida do amor dos nossos pais ou dos nossos irmãos.

Ele nos chamou pelo nome a fim de comunicar-nos que o seu amor é pessoal. Além disso, aos nos chamar pelo nome, ele quis dar-nos uma missão própria, isto é, que não podemos transferir para terceiros. Hoje estamos na moda de terceirizar tudo e alguns de nós caímos na armadilha de terceirizar a nossa missão na comunidade e na família, imaginando que isso é possível. Na verdade, ninguém pode realizar a nossa missão. O pai que não assume a paternidade na família a prejudica em muito, pois a mãe apenas pode assumir a sua missão de mãe. O cristão que não assume a sua missão na comunidade eclesial deixa uma lacuna na construção da mesma. Ninguém pode realizar aquilo que Deus lhe confiou. Os nossos talentos são únicos e são para a comunidade e não para enterrar.

Peçamos a Deus a graça de perceber o chamado amoroso de Deus Pai sobre nós. Mais do que isso, peçamos a graça da determinação de responder com generosidade a esse chamado assumindo a nossa missão na família e na Igreja de Jesus, edificada sobre os Apóstolos. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ADMINISTRADOR FIEL

Falando em economia, ao encontrarmos um indivíduo confiável logo pensamos em colocá-lo como administrador dos nossos bens, pois não queremos correr riscos. Esses bens estão seguros nas mãos de um administrador fiel ao seu patrão. O patrão fica sossegado, pois está certo que o seu patrimônio está seguro naquelas mãos zelosas.
Jesus conhecia muito bem essa maneira prudente de agir dos homens possuidores de bens materiais. Por isso, Jesus, em Lc 12,39-48, afirma aos seus discípulos que eles foram escolhidos para cuidar do seu patrimônio mais precioso, que são as pessoas. Foram escolhidos para alimentá-las na hora certa com o pão da Palavra, com o pão do perdão, enfim com a evangelização permanente. Alimentá-las de tal forma que fiquem fortes e sejam capazes da fraternidade e da justiça misericordiosa, queridas pelo Patrão.
Adverte-os também dos perigos de abandonarem a vigilância e deixarem que os ladroes do egoísmo e da vaidade pessoal roubem essa missão de cuidar dos outros. Acrescenta que a situação piora ainda mais quando de cuidadores podem se tornar opressores e exploradores daqueles que deviam cuidar. Finalmente, aponta que o resultado final será ruim para todos.
Caros discípulos missionários de Jesus da atualidade! Diante de nós está o grande e maior patrimônio de Deus, isto é, os nossos irmãos e as nossas irmãs.  Fomos escolhidos, chamados, capacitados e enviados em missão. Enviados para cuidar do maior bem de Deus, que é o seu povo. Não fomos escolhidos para administrar apenas bens materiais, mas, sobretudo, o novo templo do Senhor, que é o seu povo. Jesus é a cabeça e nós todos somos os membros, desse corpo místico, ou seja, desse templo espiritual, que se eleva sobre a pedra de fundamento, que é Jesus.
Nós sacerdotes, bispos, religiosos, consagrados, lideranças e demais batizados fomos escolhidos para zelar do patrimônio do Senhor. Claro que é missão de todo batizado fazer isso, mas, particularmente nós lideranças, formos escolhidos para isso. Fomos encarregados de cuidar dos irmãos e das irmãs. Foi-nos confiado o encargo de dar o alimento da Palavra, dos Sacramentos e da evangelização permanente a fim de que todos possam crescer no amor e na bondade.
Não podemos cair na tentação do desânimo, do consumismo e do egoísmo, que junto com os avanços técnicos e científicos, que em si não têm nada de mal, tem apresentado a sua pior face, ou seja, o isolamento, o indiferentismo e o descuido da vida, particularmente, da vida humana, que é o maior bem de Deus.  

Conforme o nosso querido papa Francisco, nos adverte na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, não podemos cair no desânimo por conta das dificuldades que surgiram na Igreja, particularmente nos últimos tempos. Não podemos ser administradores com cara de sexta feira da paixão, mas sim com a esperança e alegria da ressurreição do domingo de Páscoa. É fundamental continuar alimentando o povo com alegria e entusiasmo e assim atrair para Deus o maior número possível do seu patrimônio. Eis aí a nossa missão, queridos leitores!




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

DAR A DEUS O QUE É DE DEUS


Não é incomum termos dúvidas a respeito da pertença de uma coisa ou outra aquela pessoa ou àquela outra. Como superarmos essa dúvida? Eis uma pergunta que gera curiosidade e algum interesse. Também há pessoas confusas a respeito do que pertence a Deus ou não. Tentemos, pois, jogar um pouco de luz sobre isso a partir da Palavra de Deus, que quer ser luz para os nossos olhos e força para tomar decisões.  
No Evangelho de Mateus (22,15-21) diante da cilada montada pelos inimigos de Jesus a respeito do pagamento dos impostos a Cezar, Jesus lança uma grande luz a respeito do que deve ser dado a Deus e aos seres humanos. Diante da interrogação dos que armam ciladas para Jesus, ele pede que lhe mostrem a moeda. Eles apresentaram a mesma e este perguntou de quem era aquela figura e aquela inscrição. Eles responderam que era do Imperador César. Diante disso, Jesus os orienta a dar a César o que é dele e a Deus o que é de Deus.
Com isso Jesus não caiu na armadilha, ou seja, se respondesse que era para pagar o imposto a César eles o acusariam diante das autoridades judaicas como defensor do Império Romano, se respondesse de não pagar o imposto a Roma, igualmente eles o acusariam diante do Império como revolucionário e os romanos o apanhariam. Como Jesus cresceu em idade e sabedoria saiu por uma terceira via, que os inteligentes inimigos não haviam pensado. Terceira via que ilumina bem a questão da pertença, ou seja, o que pertence a quem.
Por falar em pertença, Jesus aponta para as marcas que indicam a pertença a este ou àquele indivíduo. A moeda que possui por excelência a marca de Deus é o ser humano, feito à imagem e semelhança do Criador. Por conta disso, todos os impérios deveriam saber que esse bem inestimável pertence a Deus e ninguém pode escravizar ou eliminar. Ao contrário, deveriam acolhê-lo como o maior patrimônio do País e zelar para o seu crescimento e bem estar. Acolhê-lo, desde o ventre materno até o retorno ao ventre da terra pela via natural.
Se é assim, resulta que a esposa não é propriedade do marido e vice-versa o marido não é propriedade da esposa. Ambos são presentes de Deus dados um para o outro para se ajudarem na edificação e santificação da família. Os filhos, igualmente, não são propriedade dos pais, mas presentes de Deus para que os pais os eduquem para Deus e para a fraternidade. Diante desses presentes, tanto os pais como os filhos deveriam ter uma atitude de gratidão a Deus, doador de todos os seres humanos.
Em cada criatura, surge uma marca de Deus Pai. Basta que deixemos cair as escamas dos nossos olhos e não tardaremos a erguer um hino de louvor ao criador de tudo e de todos. A nova e velha evangelização nos levará a perceber que tudo é dom de Deus que fala do seu amor por nós. Como São Francisco seremos capazes de chamar as criaturas todas de irmãs e dar-lhe o seu devido respeito e valor.
Mas o que pertence ao homem? Aquilo que possui a sua marca. Aquele que trabalha com dedicação e amor imprime a sua marca naquilo que faz e a ele pertence. Se persevera no seu trabalho ou estudo imprimirá o seu caráter e não tardará em atingir o sucesso.  Aquele que imprime preguiça e descuido no que faz também imprime a sua marca e a ele pertence a pobreza e a miséria. Muitos não perseveram no trabalho ou no estudo e saltam de um ramo para o outro e logo colhem um tombo e o fracasso. Aquele que planta fofocas e críticas maldosas a ele pertencem esses lixos, e não ao outro que foi objeto da fofoca e da crítica.
Peçamos a graça de perceber o que é nosso e o que é do outro e dar a cada um, o que lhe pertence, com uma grande dose de misericórdia, é claro. Peçamos o entendimento que tudo pertence a Deus e que tudo foi-nos dado por amor, a fim de que vivamos por amor e em tudo imprimamos a marca da gratidão e do amor. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

SÍNODO DA FAMÍLIA


Sínodo da família, dia 6: pastoral da misericórdia para as famílias machucadas.
O cardeal Erdö apresenta a relatio post disceptationem, que sintetiza a participação dos 180 membros do sínodo na primeira semana de trabalho.

Por Salvatore Cernuzio
CIDADE DO VATICANO, 14 de Outubro de 2014 (Zenit.org) - Fazer opções pastorais valentes: os 180 cardeais, bispos, auditores e especialistas do sínodo extraordinário sobre a família estão de acordo com este ponto. E a "relatio post disceptationem", lida nesta segunda-feira pelo cardeal Peter Erdö, relator geral, reafirma a fidelidade da Igreja ao evangelho, mas sem que falte uma atenção particular às fragilidades familiares.
Ao chegar a esta fase, o sínodo se concentra na misericórdia e na urgência atual de novos caminhos pastorais, porque as dificuldades das famílias "têm sido mais 'sofridas' do que escolhidas em plena liberdade".
O debate ainda está em processo: a relatio é uma síntese das discussões das congregações gerais na primeira semana do encontro. O cardeal Erdö deu a entender que, para as decisões mais concretas, é necessário esperar até o dia 19 de outubro, depois das discussões dos “circuli minores”, ou círculos menores, que começaram na sexta-feira à tarde e continuarão durante toda esta semana. Portanto, não se pode esperar um retumbante "sim" ou "não" à possibilidade de acesso aos sacramentos para pessoas em situações anômalas, como a dos divorciados recasados.
“Não é sábio pensar em soluções únicas ou inspiradas na lógica do tudo ou nada”, disse Erdö. Sobre este assunto, existem duas linhas: “Alguns argumentaram a favor da disciplina atual, em virtude do seu fundamento teológico; outros se expressaram em prol de uma abertura maior às condições particulares, às situações que não podem ser desfeitas sem que se determinem novas injustiças e sofrimentos”.
A “novidade” é uma proposta, feita por alguns, de que "o eventual acesso aos sacramentos seja precedido de um caminho penitencial, sob a responsabilidade do bispo diocesano, e com um compromisso claro em favor dos filhos". Para Erdö, seria uma possibilidade não generalizada, fruto de um discernimento caso a caso, feito gradualmente, distinguindo-se entre o estado de pecado, o estado de graça e as circunstâncias atenuantes.
Os critérios dos padres sinodais para trabalhar estas questões delicadas são três: escuta, olhar fixo em Cristo e discernimento "à luz do Senhor Jesus". A Igreja, "casa paterna" e "tocha em meio às pessoas", tem o trabalho de acompanhar com paciência, delicadeza, atenção e cuidado os seus filhos mais frágeis, "marcados pelo amor ferido e perdido".
Reconhece-se assim a necessidade de "uma palavra de esperança e de sentido" para estas pessoas, acolhendo-as com a sua existência concreta, sabendo-se "sustentar a busca, alentar o desejo de Deus e a vontade de fazer parte da Igreja plenamente, inclusive por parte de quem experimentou o fracasso ou está nas situações mais desesperadas".
Nesta linha, pede-se um discernimento espiritual "sobre as convivências, os casamentos civis e os divorciados recasados", porque "compete à Igreja reconhecer estas ‘sementes do Verbo’ dispersas para além dos seus confins visíveis e sacramentais".
"A Igreja se volta com respeito àqueles que participam da sua vida de modo incompleto e imperfeito, apreciando mais os valores positivos que eles guardam do que os seus limites e faltas".
Além de "curar as feridas" dos divorciados recasados, a Igreja é chamada também a acolher as pessoas homossexuais que "têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã". A questão homossexual "nos interpela a uma reflexão séria sobre como elaborar caminhos realistas de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica, integrando a dimensão sexual". Não fica nenhuma dúvida no ar quanto ao fato de que "as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimônio entre um homem e uma mulher". Também "não é aceitável que se queiram exercer pressões sobre a atitude dos pastores ou que organismos internacionais condicionem ajudas financeiras à adoção de normas inspiradas pela ideologia de gênero". A Igreja, afirma a relatio, presta atenção especial às crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reiterando que, em primeiro lugar, devem estar sempre as exigências e os direitos dos pequenos.
E pensando sempre nos pequenos, os padres sinodais invocam no documento o "respeito e amor" por cada família ferida, em especial por quem sofreu injustamente o abandono do cônjuge, evitando "atitudes discriminatórias" para com as crianças. "É indispensável encarar de maneira leal e construtiva as consequências da separação e do divórcio; os filhos não podem se tornar 'objetos' de briga; devem-se buscar as melhores formas para que eles possam superar o trauma da divisão familiar e crescer do modo mais sereno possível".
Os participantes do sínodo enfatizam a necessidade de uma "preparação adequada para o matrimônio cristão", que não é só "uma tradição cultural ou uma exigência social", mas "uma decisão vocacional". Não deve haver uma "complicação" dos ciclos de formação, mas um "aprofundamento", indo-se além de orientações gerais. Neste sentido, deve-se renovar também "a formação dos presbíteros" através de um envolvimento maior das famílias, "privilegiando o seu testemunho". Do mesmo modo, os casais devem ser acompanhados mesmo depois da celebração do matrimônio: um período "vital e delicado", cheio de alegrias, mas também de desafios que a Igreja deve ajudar os cônjuges a enfrentar.
Abordou-se também a simplificação dos procedimentos de reconhecimento da nulidade matrimonial. Entre as propostas, foram apontadas a superação da necessidade da dupla sentença de conformidade, a possibilidade de se determinar uma via administrativa sob a responsabilidade do bispo diocesano e um processo sumário a se realizar nos casos de nulidade notória. Também foi proposta a possibilidade de se dar relevância à fé dos noivos na avaliação da validade ou não do sacramento do matrimônio. Deve-se destacar que, em todos os casos, a questão é estabelecer a verdade sobre a validade do vínculo. Também se pede o aumento da responsabilidade do bispo diocesano, que, na sua diocese, poderia nomear um sacerdote devidamente preparado para aconselhar gratuitamente as partes sobre a validade do matrimônio.
Quanto aos leigos, o sínodo incentiva o seu compromisso no âmbito cultural e sócio-político para que fatores externos não obstaculizem a "autêntica vida familiar, determinando discriminações, pobreza, exclusões e violência". Não por acaso, o tema escolhido pelo papa para o próximo sínodo ordinário, de 4 a 25 de outubro de 2015, é "a vocação e a missão da família na Igreja no mundo contemporâneo". O tema foi anunciado nesta segunda-feira pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do sínodo, na abertura dos trabalhos e em presença do papa Francisco.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O LUGAR DA EVANGELIZAÇÃO


Ao falarmos em Evangelização surge também a pergunta: por onde começar essa evangelização? Comumente imaginamos que a evangelização deve acontecer, sobretudo, nos púlpitos das nossas igrejas e capelas. Claro que isso se deve a uma prática que aconteceu por anos e anos e até por milênios na nossa Igreja. Por conta disso, ainda hoje, permanece a ideia que a evangelização é tarefa do padre e das lideranças da Igreja no recinto da Igreja.
Olhando um pouco para a prática de Jesus somos obrigados a rever esse modo de pensar e agir. Onde podemos encontrar essa evangelização prática de Jesus? Claro que não podemos ficar com a literatura romanceada e comercial, tipo O Código Da Vinci de Dan Brown. Felizmente o Espírito Santo inspirou homens que nos deixaram os Evangelhos que retratam com segurança a prática de Jesus.
Partindo do Evangelho, vemos em inúmeros textos que Jesus não evangelizava apenas nas sinagogas dos judeus. Vejamos apenas alguns exemplos: O Bom Samaritano - Lc 10,29ss -; O Sermão da Montanha - Mt 5 – 7 -; A Multiplicação dos Pães – Mc 8,1ss; etc. Aliás, segundo os relatos reportados nos quatro evangelhos, Jesus evangelizou muito pouco nesses lugares. A sua evangelização acontecia durante a sua caminhada. O mesmo aproveitava as diversas ocasiões que a vida lhe oferecia para isso. Senão vejamos o episódio do Evangelho de hoje.
Jesus foi convidado por um fariseu para jantar na sua casa. Destacamos inicialmente que Jesus aceitava ir à casa dos pobres e dos ricos, dos que se julgavam puros e os que eram considerados impuros e dignos do inferno. Ele não fazia distinção de pessoas. A todos procurava acolher e evangelizar.
Antes do jantar era costume dos judeus, cumpridores da lei, lavar as mãos e se purificar. Aconteceu que Jesus se colocou à mesa sem esses procedimentos purificatórios. Diante disso o anfitrião o interrogou por que não se havia purificado. Diante da oportunidade que a vida lhe oferece Jesus aproveita para evangelizar ao fariseu e a todos os convidados que lá estavam (cf Lc 11,37-41).
Caríssimos irmãos e irmãs! Eis aí uma dica preciosa para a Nova Evangelização, da qual  tanto se fala nos dias hoje. Precisamos aproveitar de todas as oportunidades que a vida nos oferece. Ela pode acontecer em qualquer lugar, desde que o Espírito de Deus nos conduza. Jesus conduzido pelo Espírito Santo aproveitou de todas as oportunidades para evangelizar, isto é, fazer bem a todos. Num jantar, num passeio, numa caminhada, sobre as ondas do mar, na casa de Pedro, no cume de uma montanha ou na planície, Jesus revelava a todos o amor do Pai.

Quem deve evangelizar? Apenas os padres e as lideranças da Igreja? Esses certamente devem fazê-lo, mas não só eles. Todos os cristãos que experimentaram o amor de Jesus podem e devem empenhar-se na permanente missão de evangelizar a todos e em qualquer lugar. Se assim acontecer, em breve a alegria do Evangelho aparecerá estampada no rosto de muitos irmãos nossos que andam mergulhados no egoísmo e na ganância. Em breve os nossos jovens que surgem das baladas embriagados e drogados experimentarão a verdadeira liberdade e alegria do Evangelho de Jesus. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

O GRANDE SINAL


Na vida das pessoas os sinais sempre foram importantes. Sinais de acolhida, sinais de recursa, sinais de entendimento, sinais de dúvida, sinais de aprovação e desaprovação. Os homens e as mulheres primitivos deixaram os seus sinais nas cavernas e grutas. Os nossos grafiteiros e pichadores deixam os seus nas paredes dos nossos prédios e nos muros. Muitos de nós os entendemos como poluição visual, mas para eles são sinais que comunicam algo importante.
Deus também sempre se comunicou por sinais. Na beleza da criação vemos sinais fortes do seu autor. Na força das ondas e no murmúrio da brisa leve temos sinais da força amorosa do nosso Deus. No cântico afinado dos pássaros, na harmonia das cores, no perfume das flores temos sinais do amor de Deus por nós, seus filhos e filhas. Na grande capacidade de amar de uma mãe amorosa nos damos conta do poder de Deus, isto é, do amor sem limites.
Percorrendo a Palavra de Deus os sinais do amor de Deus são escritos em prosa e versos. Nos salmos, nos cânticos, nos hinos e nas lamentações os sinais da ternura de Deus pelo seu povo são inúmeros. Os Profetas e os Salmistas são sinais encarnados do zelo de Deus pelo seu povo. Finalmente João Batista anunciou a vinda do Grande Sinal. Ele mesmo o prepara com jejuns e o batismo de penitência.
Eis que o grande sinal é indicado pela estrela de Belém. Uma grande luz brilhou nas trevas, conforme preanunciou o profeta Isaías. Os magos o reconhecem e lhe prestam culto. Porém a maioria o ignora e continua procurando pequenos sinais.  O Evangelho mostra multidões junto ao Grande Sinal pedindo a ele que faça pequenos sinais para que possam crer. Aí está a grande cegueira humana. Não reconhecer a Jesus como o maior Sinal do Amor de Deus para com todos os seus filhos e filhas.
Queridos irmãos e irmãs! Nós católicos não podemos mais cair nesse erro. Correndo atrás de pequenos sinais, na lua, nas estrelas, nas imagens que choram etc., quando o Grande Sinal está conosco. Ele mesmo prometeu que estaria conosco todos os dias até o fim do mundo (cf. Mt 28,20). Se verdadeiramente somos pessoas crescidas na fé, nós tomamos posse do maior sinal do Amor de Deus em Jesus de Nazaré e paramos de correr atrás de sinaizinhos para satisfazer a nossa incredulidade.
De fato, Jesus de Nazaré, é o maior sinal do Amor de Deus. Ele é a pérola preciosa por excelência, pela qual vale a pena vender todas as demais. Ele é o Sacramento do Pai, do qual decorrem e tomam sentido todos os demais sinais. Quem fez experiência concreta desse amor infinito não corre mais atrás de pequenos sinais, mas procura saciar a sede da sua alma, bebendo água pura desse poço de graça, alegria e paz.

A nossa querida Mãe Maria, surge indicando para os casais e para as famílias esse Grande Milagre, isto é, Jesus de Nazaré. Ela sempre apareceu indicando o seu filho Jesus. Nas Bodas de Caná, pede que façam a vontade do seu Filho. Uma vez colocada em prática e a alegria volta àquele casamento. Em Aparecida aparece negra para recordar que o seu Filho veio trazer vida para todos, inclusive para os negros.




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

SENHOR ENSINA-NOS A REZAR


No tempo de Jesus havia muitos deuses e muitos modos de orar. Os fariseus faziam suas orações em praça pública, outros ofereciam sacrifícios para agradar aos deuses e atrair sobre si e sobre os seus a proteção. João Batista ensinou os seus seguidores a rezar e a fazer diversos tipos de penitências preparando assim a vinda do Messias.
Com a chegada de Jesus algo novo vai surgindo. Jesus tem um modo pessoal de rezar. Costuma ir à sinagoga, mas não sabemos se rezava salmos, como faziam os judeus.  Ele se dirige ao Pai chamando-o de Abá, isto é, papai. Portanto, com uma grande intimidade. Ele não é adepto de sacrifícios e penitências à maneira dos escribas e fariseus. Ele também não é de muitas palavras, pois afirma que o Pai sabe de antemão o que o seu filho e filha necessitam.
Os seus seguidores, mais do que ele reza, estão atentos aos seus atos que decorrem da sua nova forma de rezar. Entusiasmados com os frutos da sua oração eles se aproximam e pedem que os ensine a rezar do jeito que ele reza. Não estão interessados numa oração formal e vazia, mas numa forma de rezar que transforma a maneira de viver o dia a dia. Diante disso, Jesus os ensina a rezar o Pai Nosso.
Adianto dizendo que o Pai Nosso não foi e não é uma oração formal, como podemos pensar.  Ela é uma oração que envolve um novo modo de viver. É uma oração que leva a uma ação concreta que chamou a atenção dos discípulos de Jesus. Em suma, ela é um plano de vida nova diante de Deus e diante dos irmãos.
Para certificar-nos do que estou falando, meditemos a primeira parte, isto é, Pai Nosso. Quando dizemos Pai Nosso estamos reconhecendo que temos um Pai que nos deu origem e, portanto, lhe devemos obediência e respeito. Não podemos esquecê-lo e muito menos menosprezá-lo como se não tivéssemos origem. Quem despreza as raízes cedo ou tarde acaba tombando como a árvore sem raízes.  Jesus se dirigia ao Pai como Abá, ou seja, papai. Com isso revela uma grande intimidade com o Pai e não uma relação formal e distante. Certamente ele ensinou os seus e a nós que o seguimos mais tarde a buscarmos essa intimidade de filhos e filhas com o Pai.
 Além disso, ao dizermos Pai nosso, estamos dizendo que o Pai é nosso e não meu. Estamos dizendo que o Pai é de todos os homens e de todas as mulheres do planeta e não apenas dos católicos, ou dos evangélicos. Estamos dizendo que o Pai ama a todos os seus filhos e filhas e não apenas os que vão à missa ou sorriem para nós. O Pai faz cair a chuva sobre todos. O Pai manda o sol para todas as peles e não apenas para algumas que nós julgamos especiais. Com isso, entendemos que somos todos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai. Se for assim, somos todos da mesma família e um responsável pelo outro, pois ele é nosso irmão.
Como filhos do mesmo Pai e membros da mesma família somos todos amados pelo Pai e chamados a fazer o mesmo com nossa origem e com os nossos irmãos e irmãs. Aliás, não podemos dizer que amamos a Deus se não amarmos os nossos irmãos, nos ensina São Tiago.  Não podemos mais isolar-nos no egoísmo dizendo que os outros se danem.
 Somos responsáveis pelo nosso irmão que passa fome. Por isso, Jesus ensina-nos a pedir o pão nosso e não apenas o pão meu, como fazem os egoístas. Lembro-me de uma senhora pobre de Pinhais – PR, que ia fazer mercado e comprava pacotes pequenos juntos com pacotes grandes de arroz. Na minha visão de economista questionei-a por que gastava mais com os pacotes pequenos se podia comprar apenas pacotes grandes? Ela me respondeu que estava fazendo isso pensando nos pobres que iriam pedir na sua casa. Claro que isso me fez pensar na oração que transforma a vida, que Jesus nos ensina hoje.
Além do pão material, não podemos mais negar o pão do perdão, se rezamos como Jesus rezava. Somos chamados a dar o pão da misericórdia e perdão a todos os nossos irmãos e irmãs que nos ofendem na caminhada da vida, pois o nosso Pai não se cansa de nos perdoar e nos acolher no banquete da vida. 




Pe. Arlindo Toneta  -  Pároco 

Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A VIRTUDE SERVIDORA

         Dentro da nossa realidade aparentemente sempre mais egoísta, na festa de Nossa Senhora do Rosário, Maria de Nazaré surge como aquela que apresenta o melhor da beleza da mulher, isto é, a sua capacidade de escutar e servir a Deus e à comunidade. Essa beleza, que não conta muito para o ibope da nossa mídia é, na verdade, a que faz resplandecer a verdadeira face de Deus na carne humana. Beleza permanente e que, ao contrário da fugaz beleza estética, se eterniza no Céu.  
            Maria é a rainha dessa beleza fantástica que encantou a Deus e encanta a milhões de membros da Igreja do seu filho Jesus de Nazaré. Por isso mesmo, ela foi coroada como rainha do Céu e da terra. Coroa essa que não foi usurpada, mas confeccionada por ela pela sua constante disposição de estar à escuta de Deus e das necessidades do seu povo.  Não mediu esforços e nem sacrifícios. Não ficou estática diante da possibilidade das pessoas ou do marido não a entenderem. Priorizou sempre a vontade de Deus e a necessidade da comunidade.
            No Evangelho (Lc 1,26-38) ela, como toda a pessoa humana, apresenta a Deus as suas dificuldades de entender o projeto divino, mas nem por isso se recusa a aderir ao mesmo. Mesmo sem saber o que a aguardava, em termos de alegrias e sofrimentos, uma vez certa de que aquela era a vontade de Deus, Maria dá o seu Sim generoso e permanente. Não dá um sim condicionado e temporário, como muitos de hoje fazemos. Sim até a primeira dificuldade. Sim até que haja dinheiro na conta. Sim até que você me dê prazer. Maria surge como a mulher que diz Sim a Deus, animada pela virtude de servir com prazer e com todas as dores que viriam. Ela não coloca em primeiro lugar o prazer, mas a vontade de Deus.
            Por isso, ela é a rainha servidora, modelo de todas as mulheres que desejam entrar para a Igreja, para a família e a sociedade como servidoras. A sua beleza continua a resplandecer no Céu e a influenciar os seus filhos e filhas adotivos, que são todos os homens e mulheres de boa vontade, conforme cantaram os anjos sobre a manjedoura de Belém.
        Diante da Igreja nascente, amedrontada pela morte de Jesus, Maria reúne os apóstolos e seguidores do seu filho no cenáculo e os anima a pedir o Espírito Santo, que revelaria toda a verdade (cf At 1,12-14). Com Pentecostes, a Igreja, como fermento, vai se espalhando pela massa da humanidade, levedando milhares de homens e mulheres com a virtude do amor servidor manifestado, por excelência, por Jesus e pela sua Mãe Maria.
            Em 1531 em Guadalupe, 1571 na Batalha de Lepanto, 1717 em Aparecida, Maria continua a servir os seus filhos e filhas. A mãe servidora continua protegendo os seus filhos, mesmo depois da sua passagem pela terra. Não é porque já está na plenitude de Deus que sessa a virtude servidora, mas ao contrario, se intensifica mais ainda. No amor de Deus se estende a todos os seus filhos e filhas ao mesmo tempo.

           Queridas mulheres e caros irmãos! Eis uma dica para a nova evangelização. Não podemos mais evangelizar apenas com palavras, que seguramente são importantes. A virtude servidora de Maria nos ensina que a disposição de escutar a Deus e servi-lo em cada irmão alavanca a Nova Evangelização, e nos leva a superar a tristeza e inebriar-nos da alegria do Evangelho.




Pe. Arlindo Toneta -  Pároco 
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR

A VINHA DO SENHOR

          Qual é mesmo a vinha do Senhor, da qual o Evangelho de hoje (Mt 21,33-43) está falando? Trata-se por acaso de uvas niágara ou bordeau? Certamente que Jesus não era vinhateiro e nem enólogo e, por isso mesmo, não estava ensinando a respeito de arrendamento de uvas para vinhos finos. Estava partindo da realidade das vinhas, muito conhecida na região e na época, para ensinar a respeito da Vinha de Deus.
            Queridos irmãos e irmãs, qual é a vinha do Senhor? Nós somos parte viva da vinha do Senhor, assim como o povo de Israel, daquele tempo era a vinha especial do Senhor Deus. Vinha que o Senhor havia cuidado de modo especial livrando-a de inúmeros inimigos e por isso mesmo esperava muitos frutos de gratidão, amor e bondade. Na verdade, produziu muitas uvas azedas, ou seja, perseguiram os profetas, venderam a José, mataram a uns e expulsaram a outros. Finalmente mataram o Filho Jesus para tomar posse integral da herança.
            Queridos leitores! Em nossos dias o povo de Deus é a vinha do Senhor. Cada um de nós fazemos parte dessa vinha plantada aqui e agora por Deus. Plantada com imenso amor para que produzamos toda sorte de frutos de amor e bondade. Frutos esses que se destinam a alimentar os irmãos e irmãs que de nós se aproximam com fome e sede. Deus continua enviando para junto de nós muitas pessoas para receber o dizimo, a caridade, o sorriso, o abraço, o perdão, a compreensão, a ternura, o cuidado a esperança e outros frutos bons. Como os acolhemos? O que estão encontrando em nós, vinha do Senhor?
        Quantas esposas procuram junto aos seus maridos aconchego, ternura e misericórdia, mas só encontram julgamentos, palavrões e descaso! Quantos maridos machucados pelas suas quedas que não encontram compreensão e perdão junto àquelas que juraram fidelidade até a morte! Quantos filhos que chegam junto ao pai e encontram apenas azedume e broncas! Quantas filhas que recebem das mães filmes de violência, bens materiais, mas não recebem um abraço de ternura e de estimulo positivo! Quantos professores que apenas passam conteúdos programáticos desprovidos de amor e bondade! Quantos sacerdotes que dão ao povo a lei e as normas secas da Igreja, mas descuidam da acolhida misericordiosa e repleta de bondade!
            Com a sua Palavra Jesus está dizendo que Deus espera de nós, sua vinha, muitos frutos. A glória de Deus é que produzais muitos frutos bons. Não que Deus, em si, necessite deles, pois Deus é pleno e não necessita nada de ninguém. Quem precisa são os filhos de Deus. Deus considera feito a ele tudo o que fazemos aos demais irmãos. Os irmãos não querem frutos azedos, que azedem e matam a vida, mas frutos de acolhida, de misericórdia, de gratidão, de partilha, de serviço gratuito, de perseverança e de alegria evangélica. A alegria de Deus é que produzamos muitos frutos de amor e bondade em favor dos irmãos e das irmãs.
            Queridos irmãos! Peçamos a graça de sermos a vinha do Senhor, que jamais afasta as suas raízes do Deus revelado por Jesus de Nazaré, e assim possamos produzir bons frutos, que alimentam, vivificam e alegram a vida de todos os irmãos e irmãs que se achegam a nós. 





Pe. Arlindo Toneta -  Pároco 
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A LIBERDADE

          Eis um valor que nós prezamos muito e brigamos quando alguém nos priva dele. A revolução francesa a colocou como um dos pés do tripé que sustenta a sociedade: Fraternidade, igualdade e liberdade. Os jovens, particularmente os jovens, reclamam muito dos pais quando lhes parece que são privados dela. Nota-se em cada ser humano um anseio de liberdade. Na verdade a liberdade existe ou é apenas um sonho plantado pelo criador em cada ser humano?
            A Palavra de Deus (Lc 9,57-62) nos apresenta algumas pessoas desejosas de seguir Jesus, mas este logo apresenta a realidade das criaturas. Estas, normalmente, são apegadas a famílias, casas, terras, pessoas, lugares, status, carros, títulos, tocas, ninhos, etc. Apegos estes que dificultam o seguimento radical de Jesus. Jesus, por outro lado, é totalmente livre. Livre da sua família, livre de bens materiais, livre de esposa e até de residência. Ele é totalmente livre para viver o amor do Pai junto aos mais necessitados.
         Os que desejam segui-lo, em primeiro lugar, necessitam dar-se conta da sua realidade humana de criaturas apegadas. Tomar consciência que esses apegos dificultam a verdadeira liberdade para o seguimento do Mestre, que é totalmente livre para amar e ser amado. Sem negar essa realidade humana, pedir a Deus a graça da libertação. Libertação essa que não se dá num piscar de olhos, mas que dura a vida inteira, num processo que requer esforço pessoal e confiança naquele que efetivamente pode nos libertar.
            Jesus está dizendo para os que desejam segui-lo na radicalidade que necessitam desapegar-se dos seus ninhos de conforto, isto é, das suas famílias, dos seus amigos, dos seus bens para serem mais livres, à sua semelhança. Serem livres não para dizer que não possuem compromisso com ninguém, como pensam e fazem os libertinos, que procuram levar vantagens sobre todos.  Ao contrário, desapegar-se o máximo para assumir o compromisso de amar a todos e a qualquer momento como Jesus fazia. Eis a proposta de Jesus a todos os que querem ser discípulos missionários dele.
            Portanto, queridos irmãos e irmãs, a liberdade, proposta por Jesus, não combina com a liberdade com a qual muitos jovens e adultos sonham, ou seja, de fazer o que querem, mesmo que resulte em prejuízo de si e dos irmãos. A liberdade que brota do Evangelho é um esforço constante para desapegar-se de pessoas, de bens, de lugares, de ideias, de títulos, enfim de tudo o que nos torna menos livres para amar como Jesus amou. 
               Queridos pais e demais educadores! Eis uma tarefa inadiável. Eis uma missão importante para iniciar o mês das missões. Missão essa de evangelizar o nosso modo de pensar e de agir em primeiro lugar. Deixar que o Evangelho nos recrie e assim podermos, com mais liberdade, viver a alegria de servir no amor e com amor.  Em segundo lugar, urge que iniciemos o processo de educar os filhos, os alunos e os catequizandos para a verdadeira liberdade e assim estes possam descobrir, quanto antes, a alegria de tudo fazer na liberdade amorosa. 





Pe. Arlindo Toneta -  Pároco 
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR

DIANTE DA RECUSA

            Muitas e muitas vezes não somos acolhidos por pessoas, por instituições e até por comunidades eclesiais. Acontece isso porque somos de outra cor, porque somos pobres, porque somos mulheres, porque somos portadores de alguma deficiência ou por alguma outra razão. O fato é que as portas se fecham para nós. Diante dessas portas que se fecham como reagimos? Em primeiro lugar não nos sentimos bem diante disso. As nossas faces normalmente ficam vermelhas expressando toda a nossa raiva. Muitas vezes partimos para o revide com impropérios e desejos de vingança.
           No dia em que a Igreja celebra o patrono dos biblistas, isto é, São Jerônimo, a liturgia nos apresenta no Evangelho de Lucas um episódio de rejeição. O Evangelista narra que Jesus está indo para Jerusalém e enviou alguns discípulos à sua frente para preparar pousada. Eles entraram numa aldeia de samaritanos e estes não quiseram recebe-los, pois faziam menção que estavam indo para Jerusalém e os samaritanos não se davam bem com os habitantes de Jerusalém. Por essa razão fecharam as portas para Jesus e para a sua turma. (cf. Lc 9,51-56).
            Observemos a reação dos discípulos, que certamente estavam indignados com o não acolhimento da sua proposta. Perguntaram a Jesus: “Senhor, queres que ordenemos desça fogo do céu para consumi-los?” Notem a costumeira reação humana diante da falta de acolhida por parte dos demais. Os olhos ficam cegos de raiva e tentam destruir os obstáculos a ferro e a fogo.
        Diante dessa natureza humana Jesus lança a semente do evangelho dando a entender que é um direito dos demais não recebê-lo e aos seus seguidores. Devem ter as suas razões para agir dessa maneira. Importa não nivelar-se a eles, partindo para o revide, mas respeitar a sua decisão, mesmo que equivocada. Essa é a forma de reagir de Deus diante das recusas humanas. Essa deveria ser a forma cristã de reagir diante do mau acolhimento de algum irmão ou irmã. Essa forma respeitosa de acolher o seu fechamento, pode ser a chave para fazê-los rever o seu posicionamento e apressar a conversão.
            Além disso, Jesus aponta para os seus as demais possibilidades que estão à sua frente. Não é porque uma porta se fecha que a caminhada missionária para. Anima-os a ir em frente para outro povoado onde provavelmente encontrarão acolhida. Portanto, não é o fechamento de alguém que nos paralisa na caminhada rumo à Jerusalém Celeste, para onde estamos indo. É fundamental, para o seguidor de Jesus, caminhar para Deus apesar dos outros.
            Caríssimos irmãos! Peçamos a graça de acolher esse novo modo de reagir diante da falta de acolhida que podemos encontrar na nossa caminhada rumo ao Céu. Modo esse que manifestará ao mundo que somos evangelizados e colocamos em prática a vontade do Pai. 




Pe. Arlindo Toneta -  Pároco 
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR