sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

DOENÇAS E TENTAÇÕES QUE O PAPA FRANCISCO CONVIDA A CÚRIA ROMANA A SUPERAR.

ROMA, 23 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) - O papa Francisco se reuniu nesta segunda-feira com os dirigentes e membros dos diversos dicastérios, conselhos, escritórios, tribunais e comissões que compõem a Cúria Romana e os convidou “a ser um corpo que tenta, dia após dia, ser mais vivo, mais sadio e harmonioso e mais unido entre si e com Cristo”. Com franqueza paternal, o Santo Padre destacou as tentações que é necessário combater.

“A cúria é sempre chamada a melhorar e a crescer em comunhão, em santidade e em sabedoria para realizar plenamente a sua missão. Como todo corpo, ela também é exposta às doenças... Eu gostaria de mencionar algumas das mais frequentes em nossa vida de cúria. São doenças e tentações que debilitam o nosso serviço ao Senhor”, disse o pontífice, e, depois de convidar a todos a fazer um exame de consciência neste advento, como preparação para o Natal, enumerou as “doenças” curiais:

1 - A doença de sentir-se imortal, imune ou até indispensável, deixando de lado os controles necessários e normais. Uma cúria que não é autocrítica, que não se atualiza, que não tenta melhorar é um corpo enfermo. É a doença do rico insensato, que achava que ia viver eternamente, e também daqueles que se tornam amos e se sentem superiores a todos, em vez de sentir-se a serviço de todos.

2- A doença do "martalismo" (da Marta citada no Evangelho), a doença da excessiva atividade: daqueles que ficam imersos no trabalho e deixam de lado “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus. Por isso, Jesus convidou os seus discípulos a “descansar”, porque descuidar do necessário repouso leve ao estresse e à agitação. O tempo do repouso para quem completou a sua missão é necessário, é devido e deve ser levado a sério: passar um "tempo de qualidade” com a família e respeitar as férias como um tempo para recargar-se espiritual e fisicamente; temos que aprender o que ensina o Eclesiastes: há um tempo para tudo.

3 - A doença do endurecimento mental e espiritual: É a doença de quem, ao longo do caminho, perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se esconde nos papéis, virando uma “máquina de trabalho” e não um “homem de Deus”. É perigoso perder a sensibilidade humana necessária para chorar com os que choram e para nos alegrar com os que se alegram. É a doença dos que perdem os sentimentos de Jesus.

4 - Planejar como um contador. A doença do planejamento excessivo e do funcionalismo. É quando o apóstolo planeja tudo minuciosamente e acha que, assim, as coisas efetivamente progridem, virando um contador. Caímos nesta doença porque é sempre mais fácil e cômodo ficar na própria posição estática e imutável. A Igreja se mostra fiel ao Espírito Santo na medida em que não pretende regulá-lo nem domesticá-lo. Ele é o frescor, a fantasia, a inovação.

5 - A não cooperação. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a funcionalidade harmoniosa e a temperança, tornando-se uma orquestra que faz barulho, porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe.

6 - A doença do Alzheimer espiritual. A de esquecer a “história da salvação”, a história pessoal com nosso Senhor, o “primeiro amor”. É uma diminuição progressiva das faculdades espirituais... Vemos isto nos que perderam a lembrança do seu encontro com o Senhor... Nos que constroem muros ao redor de si mesmos e se tornam cada vez mais escravos dos costumes e dos ídolos que esculpiram com as próprias mãos.

7 - A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a aparência, as cores das roupas e as insígnias de honra se tornam o principal objetivo da vida... É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos e a viver uma mística falsa e um falso quietismo.
8 - A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica dos medíocres e do progressivo vazio espiritual que os títulos acadêmicos não podem preencher. Criam assim o seu próprio mundo paralelo, onde deixam de lado tudo o que ensinam com severidade aos outros e começam a viver uma vida oculta e, com frequência, dissoluta.

9 - A doença da falação, da murmuração, da fofoca. É uma doença grave que começa com facilidade, talvez só para conversar, mas que se apodera da pessoa e a torna semeadora de cizânia (como Satanás), e, em muitos casos, assassina a sangue frio a fama dos colegas e dos irmãos. É a doença das pessoas covardes, que, por não terem coragem de falar na cara, falam pelas costas.

10 - A doença de divinizar os chefes. É a doença dos que cortejam os superiores, com a esperança de conseguir a sua benevolência. São vítimas do arrivismo e do oportunismo, honram as pessoas e não a Deus. São pessoas que vivem o serviço pensando só no que têm que conseguir e não no que têm que dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu egoísmo fatal.

11 - A doença da indiferença pelos outros. É quando todo mundo pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando os mais capacitados não põem os seus conhecimentos a serviço dos colegas com menos experiência. Quando, por ciúmes, se sente alegria ao ver que os outros caem, em lugar de levantá-los e animá-los.

12 - A doença da cara de enterro. A das pessoas rudes e sombrias, que consideram que, para ser sérios, é preciso pintar a cara de melancolia, de severidade, e tratar os outros, especialmente os considerados inferiores, com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são com frequência os sintomas do medo e da insegurança pessoal.

13 - A doença do acumular. Quando o apóstolo procura encher um vazio existencial no coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas simplesmente para se sentir seguro... O acúmulo só pesa e atrasa o caminho, inexoravelmente.

14 - A doença dos círculos fechados. Pertencer ao grupo se torna mais forte que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, mais forte do que pertencer ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas, com o passar do tempo, escraviza os membros e vira um câncer que ameaça a harmonia do corpo e pode causar muito dano, escândalos, especialmente aos nossos irmãos menores.

15 - A doença da ganância mundana, do brilho. Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para conseguir benefícios mundanos ou mais poderes. É a doença de quem procura insaciavelmente multiplicar o seu poder e, para isso, é capaz de caluniar, difamar e desacreditar os outros, inclusive em jornais e revistas. Naturalmente, para brilhar e mostrar-se mais capaz que os outros.

“Somos chamados, neste tempo de Natal e em todo o tempo do nosso serviço e da nossa existência, a viver segundo a verdade no amor, tentando crescer em tudo diante daquele que é a Cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem entrosado, mediante a colaboração de todas as conjunturas, segundo a energia própria de cada membro, recebe força para crescer de maneira a edificar a si mesmo na caridade”.

“Uma vez eu li que os sacerdotes são como os aviões: são notícia só quando caem, mas há muitos que voam. Muitos os criticam e poucos rezam por eles. É uma frase muito interessante, que descreve a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e o quanto um sacerdote que cai pode causar estrago em todo o corpo da Igreja”.




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

CONSTRUIR CASAS PARA DEUS OU ABRIR PORTAS?


 Muitas pessoas se propõem a construir capelas e templos para Deus. Quanta gente que encontrei, sobretudo, em Minas Gerais, que tinha orgulho de ter edificado uma capela na sua fazenda. Por conta de uma promessa, ou para ter a proteção de algum santo sobre o seu rebanho e demais propriedades. Nisso tudo, nada de mal, revela a alma religiosa do nosso povo.
Mesmo na minha comunidade paroquial, sei do empenho de inúmeras pessoas e empresários para edificar a Matriz. Festas e mais festas, rifas e mais rifas, doações, mutirões sem conta já aconteceram em vista da edificação de um templo para Deus. Em tudo isso não vemos nada de mal. Vemos a doação generosa da comunidade, o empreendedorismo de algumas pessoas e o espírito religioso da comunidade.
Porém, a pergunta continua de pé. Qual é a motivação que nos leva a edificar casas para Deus? É para aproximá-lo da comunidade ou para colocá-lo à distância a fim de que não nos questione nos nossos relacionamentos comerciais e humanos? É para que seja o coração da nossa comunidade ou para que fique relegado ao dia do Senhor, ou seja ao domingo?
A Palavra de Deus do quarto domingo do Advento, leva-nos a refletir um pouco mais sobre isso. Em Samuel (2 Sm 7,1-16) encontramos o Rei Davi que se propõe a construir uma casa de cedro para Deus. A princípio é um gesto louvável, mas Deus, através do profeta Natã o leva a compreender algo mais importante do que construir um templo para Deus. Ele compreende que Deus não quer ser enclausurado em casas feitas pela mão do homem, mas é um Deus que caminha com o homem e participa das suas lutas e vitórias. Um Deus que lhe apraz caminhar com o seu povo e tudo o que existe foi feito por Deus. Entende que Deus preparou uma terra, uma casa, uma habitação para o homem viver em paz.
A melhor resposta para as nossas perguntas foi dada por Maria. Em Lc 1,26-38) Maria é visitada por Gabriel, isto é, pelo Arcanjo do Senhor, a fim de comunicar a ela qual era o projeto de Deus a seu respeito. Meio confusa Maria interroga o grande anjo para certificar-se da vontade de Deus. Uma vez esclarecida ela responde colocando-se a serviço desse projeto divino. Ela coloca o templo do seu corpo à disposição de Deus. Ela abriu a porta do seu coração para acolher e abrigar o Filho de Deus. A princípio não edifica um templo para Deus, mas coloca o templo do seu corpo, que o recebeu de Deus, a serviço dele.
Neste tempo em que se aproxima o Natal do Senhor, a Palavra de Deus, quer nos ensinar que mais importante do que construir templos para Deus é abrir a porta do nosso coração para que Deus habite nele. Mais importante do que construir Igreja de cedro ou alvenaria é abrir a porta das nossas casas para que Deus habite nelas e ilumine a todos os que nelas habitam. Mais importante do que pintar Igreja e investir em alfaias é abrir-se para Deus a fim de acolhê-lo em nós, no nosso casamento, nas nossas empresas, nas nossas cidades e assim, cheios do Deus da Paz celebrar com toda a dignidade a festa de mais um Natal.
Não que construir uma Igreja não seja importante, mas precisamos estar atentos para que ela não seja uma prisão para Deus a fim de que ele fique longe de nós e dos nossos negócios. Não podemos mais ter uma vida esquizofrênica, isto é, enclausurar a Deus numa casa de pedra e nós caminharmos com nossa ganância e egoísmo na construção de mais uma babilônia na família e na sociedade em geral. Conforme a literatura de cordel, Natal é Deus com nois e nois com Deus.

Portanto, caro leitor, peçamos a graça de termos sempre a atitude de Maria, isto é, estarmos sempre à escuta de Deus a fim de acolher o seu projeto natalino. Como em Maria, Deus quer encontrar abrigo em nosso coração. Tiremos todo o egoísmo e autossuficiência que nos fecha para Deus e para os irmãos. Que a consciência de que somos templos dele nos leve prioritariamente a entregar a chave do nosso coração em suas mãos, a fim de que ele entre em nós e conosco caminhe! Em comunhão com Ele, podemos também, edificar templos como sinais visíveis da sua presença entre nós, onde a comunidade se reúne para louvá-lo. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

NATAL
                        
Meu irmão e minha irmã!

Estamos tendo a graça de viver mais um Natal.
Um Natal que nos fala do Amor de Deus por mim e por ti.
Um Deus apaixonado por nós que não aguentou ver-nos mergulhados na tristeza.
Ele quis que participássemos da sua alegria.
Mandou, por isso, a sua Alegria, isto é, Jesus Cristo, o nosso Natal.
A sua alegria quis nascer onde abundou o pecado e a tristeza, ou seja, no coração da família.
Quis dizer que a família, pai, mãe e filho é o seu projeto natalino.
Ele nasceu pessoa humana para dizer do teu grande valor como pessoa.
Ele nasceu na família de José e Maria para alegrar toda a família humana.

Meu querido irmão e irmã!

Neste Natal a Alegria quer nascer na tua casa.
O Filho de Deus quer entrar na tua família para falar de amor e bondade.
Não quer entrar para julgar ou condenar alguém, mas para trazer esperança e alegria a todos.
Acolha esse presente do Céu e o Céu começará a desabrochar em tua casa.
Em cada membro da família resplandecerá a luz de Cristo.
Cada um se tornará o presente de Natal para o outro.
Com isso, começará o Ano Missionário na tua casa.
Como Jesus cada um comunicará o Amor de Deus ao outro através da sua pessoa.
O seu bom dia, o seu sorriso e o seu trabalho falarão do amor de Deus.
Em suma, todos saberão que em tua casa é Natal, pois cada um se tornou um presente de Deus para o outro e um missionário da alegria maior.

Meu irmão e minha irmã, companheiro de caminhada para o Céu!

Faço votos que tenham um Feliz e Santo Natal, extensivo a toda a família.



Pe. Arlindo Toneta – Pároco
Paróquia N. Senhora da Boa Esperança – Pinhais – PR
Av. Camilo de Lellis, 970 – Fone: 3667.3008

padretoneta@yahoo.com.br

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

NÃO TEMAS, EU TE AJUDAREI

Eis uma palavra que faz toda a diferença na vida de quem se sente fraco e limitado. Em sã consciência todos nós, seres humanos, em algum momento da vida nos sentimos impotentes e fracos diante dos inimigos ou das situações adversas. Envoltos nesse misto de fraqueza e medo, ao ouvir essa palavra: eu te ajudarei, a coragem aumenta e o medo tende a sair pela porta do fundo.
A criança diante do perigo se vale do choro e do pedido de socorro. Quando o pai ou a mãe a apanha pela mão e lhe diz: “não temas, pois eu estou contigo”; ela sente-se toda poderosa e desafia até leões e outros perigos. Ela pensa, o meu pai herói está comigo e por isso, não tenho razões para ficar com medo, pois o meu pai pode tudo.
O povo de Israel, cheio de medo, por causa dos inimigos que o rodeavam, se dirige a Deus, manifestando a sua fraqueza. O Senhor lhe responde com essa afirmação: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: Não temas; eu estarei contigo” (Is 41,13). Cheios dessa certeza o povo se tornou numa máquina para destruir os inimigos. Encheu-se de coragem, para lutar, pois se sentiu bem acompanhado. Não fixou o olhar nos inimigos, mas na ajuda adequada que tinha ao seu lado.
Queridos irmãos e irmãs! Quantas vezes nós também nos sentimos fracos e impotentes diante dos nossos pecados e limitações! Ao fixarmos o olhar nessas adversidades tendemos a desanimar. Neste tempo de Advento o Senhor quer nos encorajar dizendo novamente: “Não temas, eu te ajudarei”. Se as dificuldades são grandes e os inimigos muito fortes, não desanime. Entenda que se a oferta de ajuda de um colega de trabalho nos anima, quando mais deve animar-nos a promessa do nosso Deus, todo poderoso, que em hipótese alguma mente para um filho seu.
Caríssimo leitor! Quando o medo e os inimigos te assaltarem, veja bem com quem você está andando. Se você está sozinho ou mal acompanhado é claro que o medo será o teu companheiro rumo ao fracasso. Mas, se, pelo contrário, você estiver em boa companhia, isto é, com Deus, as limitações e medos existirão para que você grude sempre mais na mão Deus, certo da vitória.
Quando a consciência dos teus pecados te meterem muito medo, examine para ver se o seu companheiro de caminhada é Deus. Não é possível estar seguro caminhando só ou com qualquer um. É fundamental caminhar junto com aquele que pode destruir todos os teus pecados e, além disso, fazer deles estrume para que desabrochem as mais belas flores, ou seja, a humildade e a confiança em Deus.

O abraço de Jesus Misericordioso pode destruir todos os nossos inimigos interiores, que são os que apequenam a alma dos cristãos e nos fazem andar pela vida como homens e mulheres medrosos e derrotados. Quem tem a humildade de reconhecer as suas limitações, os seus medos e estender a mão a Deus certamente renascem para uma vida nova. Uma vida cheia de coragem e alegria no Senhor, o eterno companheiro de viagem, dos homens fortes. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CRISTÃOS CANSADOS

O fim do ano vem chegando e muitas pessoas estão dizendo alto e bom som: “Eu estou cansado, eu estou no limite da minha paciência, eu não aguento mais, eu preciso de férias, caso contrário, vou ter um enfarto”. Certamente estão abrindo a mente e o coração e manifestando os seus sentimentos e pensamentos cheios de sinceridade.  Eu tenho pena de todos os que se expressam dessa maneira e faço votos que tirem férias quanto antes para recarregar as baterias.
Além disso, indico a Palavra de Jesus que fala de um fardo pesado que muitos carregam desnecessariamente e por isso se cansam demasiadamente, mas que, por outro lado, aponta para um fardo leve e suave que pode dar muito maior fôlego. Trata-se do Evangelho de Mateus (Mt 11,28-30) que vem ao encontro de todos os cansados e fatigados por causa das suas inúmeras responsabilidades, cobranças e correrias.
O próprio Jesus faz um convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos e eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Em primeiro lugar convivendo com o meu povo vejo inúmeras pessoas que andam bem longe de Jesus. Muitos alegando não terem tempo para ele, não conseguem ir à missa, não meditam a sua Palavra, não rezam, pois as obrigações e tarefam são muitas. Claro que é um direito da pessoa andar perto ou longe de quem quiser. Eu não tenho autoridade para tirar esse direito de ninguém e nem Jesus quer tirar essa liberdade. Tanto é verdade que é assim que ele convida a assumir o seu jugo e não o impõe a ninguém.
O livro do Profeta Isaías afirma: “Cansam-se as crianças, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar”.  Eis, queridos irmãos, uma bela orientação dada há 700 anos antes de Jesus por Isaías. Quantas pessoas que perdem a esperança em Deus e correm desesperadamente atrás de trabalho, dinheiro, prazer, poder, seguranças para encher o coração! Ocorre que o coração foi feito para Deus e não para as coisas. Por essa razão muitos cansam precocemente porque apesar de terem muito, falta o essencial, que nos ensina a viver com suavidade e leveza.  
Diante dessa realidade da tentação humana de refugiar-se em falsas seguranças, Jesus surge nesse Advento como um fardo suave e leve. Ele lança o convite para os que quiserem. Se alguém o aceita, certamente encontrará descanso. Nele encontrará orientação para a sua vida de tal forma que não precisará correr tanto para viver com dignidade. Se precisar correr terá plena consciência que ele corre junto e por isso, se sentirá bem acompanhado na maratona da vida. Essa agradável companhia tornará a vida mais leve e o encherá de força e coragem para correr com perseverança, apesar das dificuldades, até a vitória final.

Qual é o jugo ou fardo de Jesus?  Certamente é o amor. O amor a Deus e aos irmãos. Portanto, queridos irmãos cansados, eis uma dica preciosa para encontrar descanso. Parafraseando S. Paulo, quer comais, quer bebais, quer trabalheis, quer estudeis, entreis em férias ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo em nome do Senhor. Eis o segredo que alguns cristãos descobriram e por isso, vivem de uma forma leve e suave. Estão sempre dispostos a ajudar e a participar. Agarraram com seriedade e determinação o fardo de Jesus, por isso estão sempre alegres e dispostos, apesar de alguma canseira física que é natural.




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

JESUS E AS NOSSAS CEGUEIRAS


Eu já estive trabalhando no Instituto Padre Chico em São Paulo e pude sentir de perto o drama dos cegos. A falta dos olhos que fotografam a realidade e de alguma forma dirigem os passos da pessoa; não é um obstáculo pequeno para a pessoa humana. Porém, com a invenção do método braile e de outros recursos técnicos os cegos conseguem ter uma vida razoavelmente integrada na comunidade, desempenhando diversos tipos de atividades.
O episódio de Mt 9,27-31 apresenta dois cegos procurando seguir Jesus e suplicando a sua misericórdia. Ao entrar em casa os dois aproximaram-se de Jesus. Jesus perguntou aos mesmos se acreditavam que ele podia curá-los. Eles respondem afirmativamente. Diante disso, ele tocou nos seus olhos e disse: “Faça-se conforme a vossa fé”. E os olhos deles se abriram. Sim, os seus olhos se abriram e puderam contemplar as maravilhas de Deus. Eu não creio que Jesus veio para nos curar da cegueira física. Deus deu inteligência aos médicos e outros técnicos para encontrarem soluções para contornar essa limitação humana, que algumas pessoas carregam.  Se aconteceu alguma cura física ela é apenas sinal de uma cura mais profunda. Ela é sinal dos olhos da fé que se abriram com firmeza para Jesus.
Quantas pessoas que se desligaram de Deus e por conta disso estão mergulhadas na escuridão! Elas estão cegas para Deus e para o amor aos irmãos. Elas estão envoltas nas trevas do erro, da maldade, do egoísmo, que as torna profundamente infelizes. Quantos homens e mulheres que um dia experimentaram a luz de Deus, mas hoje andam nas trevas do erro e do pecado!  
Neste tempo de Advento parece que alguns cegos sentem saudades da luz de Deus. Alguns procuram seguir novamente os passos de Jesus. Aqueles que efetivamente se aproximam de Jesus com fé podem ser curados de suas cegueiras e voltar a enxergar bem. Basicamente não depende de Jesus, mas depende da boa vontade dos cegos que procuram aproximar-se e abrir-se para Deus.
Uma vez próximos de Deus, alguns permitem que Jesus os toque no seu modo de ver. Quando tangidos por ele, isto é, pelo Amor de Deus, as escamas dos olhos, que os impedia de ver o bem que deviam fazer, podem cair. Curados das cegueiras eles passam a ver o Caminho que é Jesus e podem seguir os seus passos.  
Em suma, as pessoas próximas de Deus, tocadas por Jesus, recriadas pelo seu amor, podem seguir o Caminho, que é Jesus, agindo como iluminados e não mais como homens e mulheres das trevas, que agem na calada da noite para não serem vistos.   
Quantos católicos que ainda hoje vivem um pouco na luz de Deus e outro pouco nas trevas do pecado, da inveja e do egoísmo. Esse modo de vida torna a pessoa cegueta e morna.  A pessoa resulta como café morno, que ninguém aprecia. Ela não é quente e nem fria. Ela é meia boca. Aparece como um cristão apático, acomodado, que vai à missa de vez em quando, que quase não faz caridade, que não paga dizimo, que não sente compaixão daqueles que estão doentes e dos que passam fome. É triste falar, mas a nossa Igreja está cheia de pessoas mornas.

A boa notícia é que estamos num tempo favorável para sair dessa apatia eclesial. Estamos iniciando o Advento. Advento é tempo favorável para suplicar a Jesus que cure as nossas cegueiras; cegueiras que nos impedem de amar a Deus e aos irmãos. Peçamos a ele que nos toque novamente, como tocou os dois cegos, e nos faça criaturas novas. Peçamos que expulse todos os tipos de cegueiras que nos impedem de ver o Caminho, que é Jesus e a sua Palavra, a fim de que possamos experimentar o Verdadeiro Natal




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PREPARANDO O EVENTO


Quando somos convidados para uma festa de casamento normalmente nos enchemos de alegria. No convite está implícito que somos pessoas estimadas e merecemos esse destaque. Após o convite começa o momento da preparação para a festa. Vamos ao shopping, procuramos o vestuário adequado, os sapatos que combinem com as demais peças, as meias, a gravata. Há todo um tempo de expectativa e preparação. Alguns chegam até sonhar com a festa, que já estão vivenciando aquele evento festivo.
Liturgicamente estamos sendo convidados para uma grande festa. Todos os filhos de Deus estão sendo convidados para a festa do nascimento de Jesus. Terminado o Ano Litúrgico, com a festa de Cristo Rei, começa um novo ano. Começou o tempo do Advento, isto é, o tempo de preparação para o nascimento do Menino Jesus. A partir do Primeiro Domingo do Advento estamos nesse novo tempo. Tempo de expectativa e preparação para a Festa do Natal do Senhor.
Que tempo mais agradável é o da preparação para a festa! É tempo de vigilância para não perder as oportunidades que a vida nos oferece. Oportunidades de nos prepararmos da melhor forma possível para esse acontecimento. Não podemos fazer feio, isto é, ir de qualquer jeito, mal arrumados ou fedendo a pecados. Não podemos esquecer que se trata do nascimento do Filho de Deus, por excelência.
Há dois mil anos ele nasceu em Belém num estábulo, rodeado de animais, porque o povo não se havia preparado para acolhê-lo. Bateu na porta de uma família e não havia lugar, bateu na outra e também não havia lugar, bateu numa hospedaria, mas igualmente lhe foi negado um espaço. Diante de tanto fechamento sobrou um abrigo de animais e por eles foi acolhido e aquecido com seu bafo, pois era inverno.
Certamente essa cena não se repetirá na nossa comunidade. Vejo as nossas famílias reunindo-se e fazendo as novenas para preparar a sua chegada. Vejo os jovens preparando teatros para melhor acolhê-lo. Vi a guirlanda em forma de coração sendo acesa nas comunidades para expressar essa preparação interior a fim de receber o Presente de Natal, isto é, o Menino Deus.
Como sacerdote quero me colocar à disposição de todos os que desejam retirar os entulhos do egoísmo e dos pecados a fim de preparar melhor o presépio interior. Na minha escala de valores não tenho nada de mais importante que possa me ocupar e impedir de atender a quem precisar desse abraço misericordioso vivido de modo único pelo meu Mestre Jesus, o Sumo e Eterno Sacerdote.
Além disso, já estão marcadas as confissões nas comunidades para essa arrumação interior. No dia 15 na Comunidade Bom Pastor, no dia 16 na Comunidade N. Senhora do Carmo, no dia 18 Comunidade Aparecida e dia 19 na Matriz. A partir das 20h estaremos com diversos sacerdotes atendendo a todos os que desejam ornar o seu presépio interior com o amor misericordioso do Pai do Céu.

Com isso e outras arrumações que a criatividade da nossa comunidade paroquial está colocando em prática certamente teremos um Natal maravilhoso, ou seja, cheio de Luz e de Vida. Grande parte da nossa comunidade estará celebrando o Natal Cristão, isto é, um Natal onde o maior presente será o Menino Deus, enchendo o coração e mente de cada um de paz, de alegria, de bondade, de fraternidade e da firme decisão de ser missionário. Decisão essa de levar o Amor de Deus.  Levá-lo para todas as casas e corações da nossa Paróquia a fim de que todos possam desfrutar das verdadeiras alegrias do Natal. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

terça-feira, 25 de novembro de 2014

SEREMOS JULGADOS PELO AMOR

Ao fazer o balanço das nossas atividades preocupam-nos os julgamentos. Por mais exatos que sejam os nossos balanços, nos mete medo o que os outros e, sobretudo os nossos patrões, irão pensar dos nossos resultados. As constantes cobranças para obter maiores resultados e a concorrência desleal nos deixam apreensivos imaginando que não seremos aprovados para ocupar o cargo na gestão do ano seguinte.
Os que conhecem bem as regras do mercado e as expectativas dos patrões, podem com alguma facilidade obter sucesso. Basta ter claro o seu objetivo e trabalhar com empenho e alegria e não tardarão alcançar o sucesso desejado. Se a pessoa conhece bem as exigências do mercado e do patrão, mas não se aplica, possuirá razões fortes para se apavorar diante dos relatórios que deverá apresentar a quem de direito.
No fim do Ano Litúrgico, a Palavra de Deus nos conduz a avaliar a nossa caminhada, como batizados. Somos colocados diante do Rei do Universo, Jesus Cristo, a fim de que avaliemos a missão que Ele nos confiou. É fundamental que a avaliemos como se fosse o último ano da nossa caminhada terrena, pois a natureza não nos garante que teremos mais um ano para completar a missão. A missão deve ser completada a cada dia, pois o amanhã não nos pertence.
Diante desse balanço, encontramos católicos que estão apavorados, porque ignoram ou conhecem muito mal o seu Patrão.  O concebem como um juiz severo sempre pronto a anotar as falhas e apresentar os castigos correspondentes a cada um, ou seja, a bênção ou a maldição, o Céu ou o Inferno. Ignoram que se trata de um Rei Misericordioso.
Se depender do nosso Patrão ninguém será desqualificado ou jogado no Inferno do isolamento e da solidão. Basta que leiamos com atenção a Boa Nova, onde o próprio Jesus afirma que não veio para condenar, mas para restaurar e salvar (Jo 3,17).  No texto do julgamento final aparece claro que o Pai do Céu preparou um lugar especial, “desde a fundação do mundo” (Mt 25,34) para cada filho. Um lugar para cada filho e cada filha no seu coração cheio de ternura. Em suma, enviou seu Filho Jesus para nos comunicar alto e bom som essa fundamental verdade de vida, que tem por objetivo encorajar-nos e não deixar-nos inseguros e apreensivos.
Cabe aqui uma palavra sobre Céu e sobre Inferno. Para aqueles que ainda estão na formação catequética infantil que veem o Céu como um jardim bonito, quero dizer que não se trata disso não. Trata-se do coração do próprio Deus. De Deus saímos e para Ele o nosso coração anseia retornar. “O nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em Deus” (Sto. Agostinho).  Ao contrário, o inferno é o afastamento do Amor. É abandonar a Deus e por consequência os irmãos e as irmãs. É o isolamento total.
Onde começa o Céu e onde Começa o Inferno? Ele começa dentro de nós na medida em que vamos escolhendo um ou outro. Na medida em que escolhemos amar a Deus e aos irmãos o Céu começa a desabrochar em nós. Na medida em que escolhemos o egoísmo, ou seja, explorar a Deus e aos irmãos o inferno tem seu começo em nós.
Todos poderão saber se estamos caminhando para o Céu ou par o Inferno. Como assim? Pelas nossas atitudes saberão. Quando nós alimentamos os famintos, acolhemos os pecadores com misericórdia, envolvemos as crianças com ternura, visitamos os presos para promover a sua libertação, estivermos presentes junto aos que sofrem para consolá-los, acolhermos os sem eira e nem beira, enfim, quando acolhermos a todos com amor, vendo neles o rosto de Jesus, todos entenderão que estamos em comunhão com Deus e caminhando para o Céu.  
Por outro lado, se exploramos os demais, violentamos a esposa, traímos o marido e os filhos, enganamos o patrão ou os empregados, desprezamos os pequeninos, ignoramos o grito dos famintos, nos fazemos de cegos diante dos abandonados, enchemos o templo de Deus, que é o nosso corpo, de todos os vícios, todos saberão que estamos fechados para Deus e caminhando para o Inferno.  
Queridos leitores! Estamos no fim do Ano Litúrgico, tempo de apresentar o nosso balanço vital e não apenas empresarial. Se o balanço da empresa, por alguma razão, nos amedronta, o da vida nos encoraja, pois estamos diante de um Patrão misericordioso, que deseja dar-nos mil oportunidades para que empreguemos bem os nossos talentos. Ele não nos julga, mas apenas aparece cheio de bondade e amor dizendo: “Coloque-se diante de mim e julgue-se, pois eu não vim para julgar, mas para salvar e redimir” (Jo 3,17). Da escolha que você fizer dependerá o desabrochar do Céu ou do Inferno.
Que o Senhor nos encoraje a todos nós a direcionarmos a nossa vida para o Céu! Fim de ano é tempo de balanço e de conversão para todos, mas, sobretudo, para aqueles que propositalmente abriram as portas para o inferno. É tempo de fechar as portas para o mal e abri-las para Deus e para o amor aos irmãos. O Amor está dando mais uma chance, pois não deseja que ninguém vá para o inferno. 





Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

IAFFE - INSTITUTO ARQUIDIOCESANO DE FORMAÇÃO NA FÉ


O DOM DA PAZ

Convivendo com as pessoas notamos que em cada um existe um sonho de paz e tranquilidade. Entendemos que o Criador plantou essa semente no coração da sua criatura predileta. Por outro lado, notamos que muitos corações andam cheios de violência e angustia. Violência essa que aparece em forma de guerra familiar, comunitária, social, racial e até entre países.
Há pessoas e ideologias que defendem que a paz se garante com exércitos, com muitos equipamentos bélicos. Na verdade, o que conhecemos é que a violência gera violência e a guerra fomenta mais guerras. Nesse sentido os nossos jornais estão repletos de exemplos. Basta ler e refletir um bocadinho.  Quando fazemos uma leitura crítica, logo entendemos que a violência e a guerra são altamente lucrativas, em termos financeiros, para alguns egoístas e inescrupulosos.  Por isso, se busca tapar o sol com a peneira.
Há milênios, Jesus caminhava rumo a Jerusalém. Ao chegar à encosta, próxima da cidade, o Evangelho de Lucas (Lc 19,41-44) nos fala que ele chorou. Chorou não porque tivesse batido o dedão em alguma pedra, mas porque as lideranças judaicas matavam os profetas imaginando que com isso garantiriam a paz. Ele exclama sobre aquela cidade: “Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!” Com isso sinaliza que a paz não brota da violência ou da morte dos que denunciam os erros e anunciam um novo jeito de viver, que é a missão específica dos profetas.
O que mesmo pode trazer a paz apontada por Jesus? Importa, inicialmente, que compreendamos que a paz apontada por Jesus é diferente da paz prometida pelo mundo, interesseiro e egoísta. Jesus ressuscitado ofereceu a paz aos seus discípulos reunidos no cenáculo, como primeiro dom. Vejo que é o primeiro presente oferecido à sua comunidade apostólica após a ressurreição. Entendo que a Paz é abrir o coração e a mente e acolher Jesus Cristo Ressuscitado com seu Projeto de Amor e Bondade. A paz tomou conta dos apóstolos reunidos e eles jogaram fora o medo, abriram as portas e saíram pelo mundo anunciando um mundo novo, de fraternidade e paz. 
Essa proposta não é apenas para um grupinho de católicos ou evangélicos, mas para todos os filhos e filhas de Deus. Noto que muitos resistem a Jesus e não o acolhem como centro e senhor das suas vidas, como nos diz o nosso querido papa Francisco. Muitos colocam o dinheiro, a terra, o ouro, a prata, o petróleo, a fama, a beleza física como centro das suas vidas e para conseguir isso chegam a passar por cima dos irmãos e das irmãs mais fracos. Chegam até a eliminar os profetas e outros que dificultam essa sua busca egoísta. Por conta disso, surgem as guerras e toda a sorte de males no mundo e nas relações humanas.
Queridos irmãos e irmãs! Como S. Lucas, continuo hoje vendo Jesus derramando copiosas lágrimas sobre as nossas cidades. Lágrimas essas que desejam lavar a cegueira de muitas lideranças que inescrupulosamente mandam eliminar os que sonham e lutam por um mundo de fraternidade e de paz. Uma torrente de lágrimas santas para lavar todo o egoísmo e desrespeito à vida humana, que existe, ainda hoje, no campo e nas cidades.
Portanto, queridos irmãos e irmãs a paz está ao alcance da humanidade toda, mas depende de nós abrirmos o coração e acolhê-la ou continuar com os nossos projetos egoístas, que levam à rivalidade e desencadeiam guerras familiares, políticas e até mundiais. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

terça-feira, 18 de novembro de 2014

IV EXPOCATEQUESE 2014


ZAQUEU PROCURAVA VER JESUS


É muito comum encontrar pessoas que procuram ver no horizonte alguma imagem que alguém aponta ou algum avião a jato que deixa seu rastro de fumaça. Nem toda a pessoa consegue ver por conta de alguma limitação visual. Um dia desses estava na casa do papai e o Renato me convidou para ver um ninho de quero-quero que havia na roça. Por conta dos ovos serem quase da cor da terra tive grande dificuldade de localizar o bendito ninho. Após ter deparado que estava próximo de uma pedra foi mais fácil visualizá-lo pela segunda vez.
Na cena que abre o capítulo dezenove do Evangelho de Lucas (Lc 19,1-10) nos deparamos com um baixinho querendo ver Jesus. A princípio não conseguia por conta da sua baixa estatura, mas, na verdade não era só por causa da estatura ou de algum problema visual. Diante disso, valeu-se da natureza e subiu numa árvore para resolver o seu problema. Lá de cima pode ver mais um homem, chamado Jesus, que caminhava no meio da multidão. Com seus olhos humanos não pode ver nada de tão diferente em Jesus.
Somente quando Jesus o encontrou com o seu olhar acolhedor pedindo para que descesse da árvore, pois queria se hospedar na sua casa, é que os seus olhos foram se abrindo e percebendo o amor de Deus que se dignava entrar na casa de um pecador. Mais do que depressa Zaqueu desceu e foi crescendo em confiança e alegria. Acolheu Jesus em sua casa e sentiu que ele era o amor em pessoa, que entrou para fazer festa e não para julgar e condenar (cf. Ap 3,20). Sentiu que Jesus não tinha nada, mas tinha tudo para amar a todos. Por isso, todos o procuram.  Por outro lado, sentiu que ele tinha tudo, mas era odiado por todos. Todos procuram fugir dele, pois cobrava impostos para Roma e aproveitava para tirar uma boa parcela para si. Profundamente tocado por esse amor que encheu a sua casa e a sua vida sentiu que o apego aos bens desse mundo o rebaixava diante de Deus e diante da comunidade. Nisso os seus olhos se abrem mais ainda e se dispõe a repartir com os pobres e devolver o quádruplo do que roubou para ficar com o maior bem, isto é, com Deus e com a comunidade.
Nessa caminhada, o modo de olhar de Zaqueu foi sendo purificado. Gradativamente os seus olhos foram se desligando das riquezas e dos bens para prestarem atenção as verdadeiras riquezas que engrandecem e dignificam a pessoa humana. Procurou ver Deus, mas não conseguia por conta do seu apego aos bens materiais. Algum percalço ou revés da vida o levou a procurar Jesus. Sentiu a ternura dele que o acolhia do jeito que era e a sua disposição de hospedar-se com ele. Profundamente tocado por esse amor divino relativizou os bens e priorizou o amor a Deus que, por sua vez, o vinculou ao amor dos irmãos e da comunidade.
Quantos e quantos de nós que somos pequenos, como Zaqueu, diante de Deus e diante da comunidade! Desviamo-nos do reto caminho e nos apegamos aos bens desse mundo, mesmo que resulte em prejuízo dos irmãos e da comunidade. Colocamos o nosso foco nos bens desse mundo e deixamos os valores eternos para quando ficarmos velhos. Não vamos mais à Igreja porque temos que trabalhar a fim de ganhar dinheiro. Não temos tempo para meditar a Palavra de Deus porque estamos muito empenhados em ficar ricos, como Zaqueu. Priorizamos o ter em detrimento do amor a Deus, à família e à comunidade. Nisto vamos ficando pequeno no amor, a tal ponto de não conseguirmos mais ver a Deus e nem as pessoas.
Entramos no poço do ter e o nosso olhar vai sendo reduzido apenas a isso. Não conseguimos mais ver as maravilhas de Deus e dos irmãos. Vamos a Deus apenas para pedir e aos irmãos para levar vantagens. Num acontecimento doloroso, como uma doença, ou amoroso, como o Encontro de Casais com Cristo (ECC), que nos toca de forma profunda, animamo-nos a sair desse poço, isto é, dessa prisão, para novamente apreciar as maravilhas de Deus e dos irmãos, ou seja, viver com dignidade e grandeza de coração.
Peçamos a graça de sermos libertos das nossas cegueiras e pequenez moral, social, familiar, comunitária ou religiosa. Que o amor acolhedor de Jesus nos leve a abandonar os nossos refúgios e as nossas falsas seguranças para ficar com ele e com seus irmãos, recuperando, assim, a nossa verdadeira estatura! 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR

ELE NOS CONFIOU OS SEUS BENS



Quando alguém é escolhido para cuidar dos bens de uma pessoa portadora de grandes fortunas, normalmente, ele se sente privilegiado, por ter sido escolhido para essa função. Ele pensa que foi escolhido porque é o mais capaz para essa função. Consequentemente sente-se digno de confiança e um privilegiado.
A parábola dos talentos (Mt 25,14-30) fala de um patrão que confiou os seus bens a três pessoas a fim que que os administrassem enquanto ele estava viajando. No retorno ele cobraria os frutos dos seus administradores. A cada um confiou talentos segundo a sua capacidade administrativa. Aconteceu que os dois primeiros saíram e aplicaram os dons e o terceiro o enterrou.
Ao retornar o patrão mandou chamar os encarregados dos seus bens. Os dois primeiros vieram alegres e felizes comunicando que os bens confiados por ele foram multiplicados e o terceiro cheio de tristeza informou o patrão que por medo havia enterrado o talento. Os dois primeiros se alegraram com o seu Senhor e a eles lhe foi confiado muito mais e o terceiro entristeceu-se e perdeu até mesmo o talento que tinha recebido.
Queridos leitores! Quem são esses três personagens? Somos nós. Inicialmente, podemos e devemos entender que fomos escolhidos por Ele, no meio de milhões de possibilidades. Não foram os nossos pais que nos escolheram. Ele nos escolheu e capacitou para administrarmos os seus bens. A cada um confiou talentos para que os façamos crescer e multiplicar-se. A cada um confiou os talentos que pode administrar bem. Não foi exagerado com uns e tacanho com outros, como muitos imaginam. Confiou a cada um segundo as suas capacidades, nem mais nem menos. Portanto, foi muito justo com todos.
Quais são esses bens que nos foram confiados? Certamente que não são ouro ou prata ou ainda papel moeda. Esses são apenas ferramentas que podemos utilizar para administrar melhor os verdadeiros bens do Senhor. O Evangelho da Alegria nos apresenta o homem e a mulher vivos, como a glória do Senhor, conforme pensava Santo Irineu. Para vivificar os irmãos o Criador nos confiou capacidades, ou seja, talentos. Talentos para cuidar dos doentes, talentos para amparar as crianças, talentos para zelar dos jovens e adolescentes, eloquência para comunicar o seu Evangelho.
Ao jovem esposo encheu de talentos e qualidades para santificar a sua esposa, à esposa cumulou de ternura para envolver o seu amado e conduzi-lo à vida plena em Deus. Aos pais deu diversas capacidades para educar os filhos no bem, na verdade e na justiça e assim ajudá-los a expulsar a preguiça e o egoísmo e desabrocharem para a felicidade eterna.
Nos sacerdotes e religiosos fez cair chuva de graças e bênçãos para administrá-las em favor de todo o povo de Deus. O povo sedento vem buscar uma palavra, um conselho, uma orientação, uma bênção, um afago, um abraço e um sorriso. O religioso e sacerdote que são bons administradores estão sempre prontos para isso, pois sabem que esses bens são do Senhor e devem ser repartidos com todos. Ao serem repartidos eles se multiplicam por dois, por dez, por cem.
Os pais, os sacerdotes, os religiosos, os catequistas e os jovens sábios, entendem que além de possuírem dons e talentos diversos, eles próprios são um presente do Céu para dar-se aos demais irmãos. Reconhecem que tudo e todos são presentes que procedem do Pai das Luzes. Nada é nosso. Tudo é de Deus a serviço do maior bem de Deus, que é o homem e a mulher santificados, ou seja, vivos.
Queridos irmãos! Sintam a confiança que o Patrão depositou em nós. Em cada um de nós e não apenas nos padres, bispos e Papa. Ele nos fez ricos dos bens do Céu para colocá-los a serviço da promoção e santificação do outro e da outra. Não podemos mais por medo ou covardia enterrar os talentos e qualidades que a nós confiou, sob pena, de mergulharmos na tristeza e no inferno já em vida.

Também, não podemos contemporizar a aplicação dos talentos, imaginando que quando ficarmos velhos faremos isso ou aquilo. Não temos o amanhã, mas temos o hoje, o aqui e o agora para fazer bem. Há uma perversa ideia em voga por aí, ou seja, enquanto se é jovem a vida é para o divertimento, mesmo que à custa dos outros. A vida, jovem ou há mais tempo jovem, ela é para a promoção da vida dos irmãos.  Não somos donos do nosso futuro. O futuro a Deus pertence. 





Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR