segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PRECEITOS HUMANOS E DIVINOS

Há muito tempo os seres humanos tendem a fazer confusões a respeito da importância das normas humanas, conselhos evangélicos e mandamentos. Não é raro encontrarmos pessoas jogando no lixo o amor evangélico para defender um preceito humano, que vale, mas que não passa de uma norma humana. Um exemplo clássico é quando os filhos deixam de amar os pais por conta de pequenas orientações disciplinares, próprias de cada família, para manter a ordem e a unidade familiar.
Diante dessa confusão mental, que levava o povo de Israel a correr o risco de se dissolver no meio de outros povos com deuses e costumes diversos, Moisés se colocou diante de Deus para obter dele as leis e normas necessárias para manter aquele povo na unidade com Deus e com os irmãos. Para isso, permaneceu quarenta dias na montanha do Sinai, diante de Deus, para obter dele os dez mandamentos da Lei de Deus. Mandamentos esses que mantiveram o povo unido por milênios.
Na caminhada, porém, os Doutores da Lei, os Escribas e Fariseus foram agregando uma série infindável de orientações, normas, leis, preceitos, decretos a tal ponto que a vida daquele povo foi ficando engessada, amarrada e triste. Alguns preceitos humanos, de saúde, de higiene, descanso sabático, etc. foram sendo supervalorizados em detrimento do amor e da bondade.
Diante disso aparecem os seguidores de Jesus no Evangelho de Mateus (Mt 7,1-8.14-15.21-23) bagunçando essa orientação, ou seja, comendo o pão sem ter lavado as mãos, conforme as normas judaicas. Aliás, quem não as observasse era considerado impuro. Diante disso, emerge a boa notícia de Jesus, isto é, o Evangelho.
Jesus mostra para esses legalistas que aí reside uma confusão de normas humanas com os valores divinos. Eles supervalorizam pequenas orientações humanas, e Jesus não nega o seu valor, e, em contrapartida, negligenciam aquilo que é mais importante, isto é, o amor, a misericórdia e a justiça. Eles chegam a pagar o dizimo até do tempero, mas exploram as viúvas e os pobres e isto é faltar com a caridade, e desprezar a Lei do Amor, que é única trazida por Jesus. A mesma (regra de ouro) sintetiza os dez mandamentos da Lei de Deus, Herdada de Moisés e do seu povo, lá no Sinai (cf Mt 7,12).
Trazendo para a nossa realidade, podemos incorrer nas mesmas confusões, quando agredimos e desrespeitamos as pessoas exigindo o cumprimento de normas humanas, etiquetas, vestuários, conselhos evangélicos e passamos por cima daquilo que, segundo o ensinamento de Jesus, é essencial, ou seja, o amor. Toda a vez que o amor ao ser humano fica em segundo lugar, terceiro e até esquecido, nós estamos enterrando o Evangelho da Libertação trazido por Jesus. Além disso, estamos amarrando as pessoas com normas, leis e proibições que tornam a vida cristã sem sabor, sem alegria e muitas vezes a azedam, pior que limão azedo, conforme fala o nosso querido Papa, Francisco.

Para finalizar valho-me de uma santa orientação do nosso irmão no ministério, Papa Francisco, quando diz: “Não deixemos que nos roubem a alegria do Evangelho” e nos encham de normas e proibições humanas que nos prendem e nos fragilizam na capacidade de amar. 








Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia Nossa Sra. da Boa Esperança
Pinhais - PR 




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