quinta-feira, 3 de setembro de 2015

FAMÍLIA, LUGAR DE PERDÃO

O Encontro de Casais com Cristo é um serviço de animação da família na Paróquia, Comunidade de Comunidades. Neste quarto encontro de casais Deus nos inspirou o tema: Família, lugar de perdão, dado as imensas dificuldades pelas quais passam as nossas células eclesiais, isto é, as famílias.
Olhando para a realidade familiar do nosso tempo vemos esse território infestado de brigas, conflitos e separações. Diante disso surgem perguntas na tentativa de entender o porquê dessa realidade conflituosa, uma vez que a família não foi pensada por Deus para ser um palco de guerra, mas um ninho de amor, a fim de que os filhos desabrochassem no amor e na bondade. Por que está acontecendo essa guerra familiar colocando em risco a saúde da família, da Igreja e da Sociedade? Para lançar um bocadinho de luz sobre essas sombras que incidem sobre a família; valemo-nos de uma reflexão do nosso querido Papa Francisco, que na sua sabedoria vai apontando a solução indicada por Jesus em diversas passagens do evangelho.
 "Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros".
Eis a nossa realidade humana, que muitos de nós insistimos em ignorar, imaginando que casamos com pessoas perfeitas. No tempo do namoro tende-se a ver apenas o lado bom do outro e da outra. Não é raro ouvir jovens casais afirmando com todas as letras que a sua namorada é perfeita e que o seu noivo é um príncipe sem pecados. Esse encantamento que impede de ver a realidade pode ruir já na lua de mel e ambos experimentarem a dureza da convivência a dois.
É fundamental, portanto, tomar consciência da nossa realidade humana. É lucides dar-se conta que todos somos contaminados pelo pecado e carregamos uma série enorme de problemas, medos, limitações, traumas, preguiças, ciúmes, invejas, inseguranças que impedirão a relação perfeita sonhada pelos apaixonados. Aqui não se trata de pessimismo, mas de assumir a realidade humana e tomar decisões a partir dela para evitar decepções maiores.
Se não existem pessoas perfeitas e nem filhos perfeitos, a convivência humana requer inicialmente uma disposição constante de aceitar o outro e a outra do jeito que são. Além disso, é fundamental a decisão de perdoar os pecados e falhas do outro. A pessoa humana, sem oxigênio, acaba morrendo e uma família sem o perdão adoece e morre. Por conta disso o papa continua dizendo: "Não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração".
Queridos casais! Eis o segredo de permanecer juntos a vida toda. Não se trata de alguns casais que têm muita sorte, encontrando o parceiro ideal, e outros que são azarados. Todos os parceiros são pecadores e carregam pecados e limitações. Determinante é como são encaradas essas limitações. Alguns as vêm como oportunidade para ajudar o outro, para perdoá-lo e assim demonstrar o seu amor, outros as descobrem como motivos para condenar, julgar e separar-se.
Para edificar uma família saudável é indispensável tomar o remédio do perdão, pois todos somos pecadores e necessitamos nos perdoar. Como é difícil perdoar as nossas burradas! Além disso, é necessário dar o mesmo remédio ao cônjuge, pois ele, involuntariamente ou na sua fraqueza humana, pode pecar sete vezes ao dia, ou seja, muitas vezes.
Quando na família se perdoa poucas vezes a mesma adoece e não havendo perdão de jeito nenhum a família adquire câncer e em breve metástase e será finalmente destruída.
Para concluir, o nosso querido Papa Francisco afirma categoricamente: “Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa”.

Diante disso, queridos irmãos, precisamos decidir se queremos famílias vivas ou mortas. A decisão passa pela nossa mente que liberta o coração, na medida em que o perdão é dado a si e ao outro. Se decidirmos acolher sempre as limitações do outro como oportunidades para amar perdoando teremos famílias robustas e fortes no amor e na alegria. Termos ninhos de vocações para santificar a família e a Igreja.  Se decidirmos não perdoar, nós teremos na família um campo de guerra e de infelicidade. Teremos um ninho de cobras que picam uma à outra. A decisão é de cada pessoa.







Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia Nossa Sra. da Boa Esperança
Pinhais - PR 



4 comentários:

  1. Caro Padre Arlindo Toneta,
    Sobre o texto Familia Lugar de Perdão, creditado ao Papa Francisco, utilizado por voce na postagem acima (as partes em negrito), é muito bom, apenas que o texto não é do Papa Francisco, da Igreja Católica e sim do Reverendo Hernandes Dias Lopes, da Igreja Presbiteriana, publicado inicialmente em 1971, conforme pode ser confirmado no link http://www.ipb.org.br/cada-dia/familia-lugar-de-perdao-1971, ou no texto completo publicado em 2012 http://hernandesdiaslopes.com.br/.../perdao-a-cura.../...

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  2. Uma palavra neste sentido visando exclarecer o equívoco seria simpático da parte do pároco.

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  3. Uma palavra neste sentido visando exclarecer o equívoco seria simpático da parte do pároco.

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