terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Refl. Ev. 1238 (Mc 9,30-37)


O maior é quem me acolhe e me serve.

Partindo dali, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia [...]. Ele ensinava seus discípulos e dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens, e eles o matarão. Morto, porém, três dias depois ressuscitará”. [...] Jesus sentou-se, chamou os Doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos!” Em seguida, pegou uma criança e, abraçando-a, disse: “Quem acolhe em meu nome uma destas crianças, a mim acolhe. E quem me acolhe, acolhe, não a mim, mas Àquele que me enviou” (Mc 9,30-37).

Quantas disputas para ocupar os primeiros lugares e os postos de maior honra e destaque! Quantas rivalidades, brigas e até assassinatos para galgar os primeiros lugares idealizados pelo mundo cheio de competição! Não precisamos ir muito longe para ver essa realidade. Podemos ficar dentro das nossas famílias e não tardaremos a nos embriagar desse vício. Diante dessa realidade de competição egoísta, com a qual estavam contaminados os seus discípulos, Jesus entra com a novidade do Evangelho.
Jesus revela que no seu Reino, que começa aqui na terra, é bem diferente. Não se trata mais de competição para os primeiros lugares de domínio e de honra, como pensa o mundo, mas de buscar os primeiros lugares para acolher e servir. Portanto, se há uma rivalidade boa e santa deve ser a de procurar acolher e servir mais e mais os irmãos e as irmãs. Se há uma escola católica, pensada por Jesus, esta deve ensinar os seus alunos a competir na linha do serviço e jamais na competição opressora dos demais.
Como motivação para essa conversão Jesus coloca um enorme estímulo, que os sábios e inteligentes logo acolhem e o colocam em prática. Ele revela o segredo da sua encarnação, isto é, que podemos acolhê-lo e servi-lo em cada irmão e em cada irmã. Que maravilha essa revelação! Os santos ao entenderem isso, venderam tudo para poder comprar essa pérola preciosa. São Francisco deixou toda a riqueza e até a túnica para o seu pai Bernardone e consagrou a sua vida no acolhimento de Jesus em cada pessoa, especialmente nos mais pobres. São Camilo ao descobrir essa verdade do Evangelho pediu a Deus tempo para acolhê-lo e servi-lo em cada doente nos hospitais e casas.
Queridos irmãos e irmãs leitores! Diante desse evangelho cabe-nos a tarefa de rever o quanto ainda somos contaminados pelo mundo competitivo e egoísta. Feito o exame de consciência fica a responsabilidade de decidir pelo mundo ou pelo evangelho de Jesus que quer motivar a todos a sermos grandes acolhedores e servidores e nunca grandes opressores e exploradores dos mais fracos.
Um abraço fraterno e libertador e não politiqueiro e cheio de interesses escusos.






Pe. Arlindo Toneta – Pároco – 
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR

Eu, porém, vos digo...


Jesus surge no meio da cultura judaica que possuía suas normas e tradições, tais como todas as demais culturas. Havia uma tendência a vingar-se do inimigo muito mais do que os males que a pessoa havia feito. Chegava-se a destruir a família do indivíduo, por conta de uma bobagem do pai ou de algum membro da família.  Por conta disso, surgiu a chamada Lei de Talion, isto é, dente por dente e olho por olho.  A pena não podia ser maior do que o mal produzido pelo infrator. Era uma tentativa de gerar equilíbrio no modo de vingar-se.
No Levítico (Lv 19,1-18) já encontra-se uma firme orientação para superar essa questão do ódio e da vingança, que corrompiam e continuam estragando  as relações humanas. O ódio e o desejo de vingança adoecem o coração do homem e da mulher. O ressentimento, o ódio e o desejo de vingar-se são como que cordas que amarram o coração daquele que os carrega e tira a liberdade de amar e de ser amado. São igualmente parecidos com ladroes, pois roubam as energias necessárias para o amor a si e ao próximo. A pessoa fica desprovida de energias para amar.
Diante disso, fica claro que guardar esses ladrões é um mau negócio, pois todos acabam perdendo. Quero aqui acrescentar uma terceira razão para não guardar esses pensamentos. Normalmente uma pessoa que os guarda por um longo tempo acaba ficando doentes fisicamente e não apenas socialmente e espiritualmente. Surgem gastrites, úlceras gástricas e até algum tipo de câncer, por causa disso. Por isso, o autor do Levítico diz: “Não tenhas no coração ódio contra teu irmão... Não procures vingança nem guardes rancor dos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,17s).
Apesar dessas orientações os judeus continuavam com o coração cheio de ódio e de vingança. Nesse contexto Jesus acrescenta a sua orientação de não enfrentar os malvados com o mal. O mal retribuído atrai mais mal gerando a corrente do mal e do ódio, que a todos destrói. Jesus traz um elemento absolutamente novo para nocautear o mal. Ele orienta para amar os inimigos e aqueles que fazem mal. Por isso ele diz: “Amai os vossos inimigos, e rezai por aqueles que vos perseguem. Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”(Mt 5,44s).
Que maravilha seria se nós os católicos e demais seguidores de Cristo entendêssemos essa novidade trazida por Jesus e a colocássemos em prática. Certamente teríamos força de acabar com a maioria das guerras que possuem a origem no coração do homem e da mulher! Um coração cheio de ódio e desejo de vingança justifica todos os tipos de agressões contra tudo e contra todos que se opõem ao seu modo de pensar e agir. Normalmente não de dá conta que ele é o problema e não o mundo ou os outros. Ao contrário, um coração cheio de amor e bondade, é capaz de todos os atos de amor e misericórdia, à semelhança da mãe que ama. Porque ama sempre encontra uma razão para perdoar o filho que erra.
Jesus revela um Pai de amor, que está sempre disposto a perdoar um filho e uma filha. Um Pai que derrama um olhar de bondade e misericórdia sobre bons e maus. Não age assim para menosprezar os bons, mas com toda a esperança de que os maus se convertam e vivam a aventura de amar, como filhos e filhas do Deus do Amor. Aliás, Deus continua sempre o mesmo, isto é, Amor. Se ele não amasse, deixaria de ser Deus e seria como nós que ora amamos e ora odiamos.
Esse ensinamento visa que os homens e as mulheres recuperem a sua identidade filhos de Deus, perdida pelo pecado. Por isso, Jesus diz: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso pai que está no céu”.



Pe. Arlindo Toneta – MI
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais – PR
padretoneta@yahoo.com.br



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A DECISÃO E SUA



A vida humana implica tomada de decisões. Nem sempre é fácil. Particularmente quando nos encontramos diante de várias alternativas. Saber tomar decisões boas é o grande objetivo da nossa vida humana.  Entendemos, porém, que as decisões boas, às vezes, não são as mais prazerosas. Muitas delas implicam renúncias e grandes sacrifícios.
Vivemos hoje numa nova época. Época essa em que as pessoas são educadas e formadas para o mais fácil, para o mais prazeroso, para a satisfação imediata.  Por conta disso muitas pessoas têm dificuldades de tomar decisões, sobretudo, quando implicam renuncias e sacrifícios. Alguns tentam abraçar tudo e não apertam nada. Outros tentam terceirizar as decisões, ou seja, deixar que os pais, o professor, o padre ou outra pessoa tome as decisões por eles. Os hedonistas escolhem apenas aquilo que lhe dá prazer imediato.
Normalmente as pessoas têm dificuldades para assumir a responsabilidade que envolve as decisões que tomam no seu dia a dia. Muitas vezes procuram culpados para justificar as escolhas mal sucedidas. Diante disso, a Palavra de Deus em Eclo 15,16-21 afirma que o homem é colocado diante de duas alternativas, isto é: “A vida e a morte, o bem e o mal. Ele receberá aquilo que preferir”.
Em primeiro lugar, notamos que o homem está diante de duas alternativas e não diante de diversas. Ele precisa decidir-se por uma delas, pois uma é contrária à outra. Nisto não existe margem para a dúvida. É preciso escolher uma delas e arcar com a responsabilidade da escolha. Segundo a Palavra de Deus, não é mais possível delegar a terceiros a tomada das nossas decisões e consequentemente a responsabilização dos mesmas pelos nossos fracassos.
Nós mesmos somos colocados diante da vida e da morte, do bem e do mal. Nós mesmos temos que escolher e nos responsabilizar pelas nossas escolhas. Dentro de cada ser humano existe o Espírito de Sabedoria, o espírito de Deus, que geme com gemidos inenarráveis, segundo São Paulo, apontando para as boas escolhas que podemos fazer. Inspira-nos a escolher o bem, a vida e a felicidade e nunca o egoísmo, o mal, a infelicidade e a morte.
Um casal me procurou para falar comigo alegando dificuldades no seu relacionamento. Procurei acolhê-lo com carinho e decisão firme de ouvi-lo para poder entendê-lo. Ambos disseram-me que estavam juntos há oito anos e tinham um filho de três anos. No ano de 2013 começaram a brigar e a brigar. Um belo dia a mulher comunicou ao marido que iria sair de casa como de fato o fez. Foi morar com outro homem amigo de infância. Na convivência se deu conta que aquela escolha não foi a melhor, pois a felicidade que tanto almejava estava bem longe. Entendeu que foi uma escolha egoísta e não uma boa escolha, conduzida pelo Espírito Santo. Assumiu o seu fracasso e voltou ao marido para reconciliar-se.
Nessas alturas eu imagino os meus leitores. Muitos com as mãos cheias de pedras para arremessar contra a traidora para acabar de matá-la (Jo 8,1-11). Outros com o coração fechado dizendo: “Você teve a sua oportunidade. Agora siga o seu caminho, pois não a queremos mais”.
Vejamos, porém, o marido dessa jovem senhora. Ele permaneceu fiel. Como o Pai do Filho Pródigo permaneceu à espera da sua amada. Permaneceu com o coração cheio de amor misericordioso. Procurou ver a rosa e não apenas os espinhos.  Por isso, quando ela chegou de volta não a condenou, mas a acolheu, a perdoou e a conduziu à sua cama nupcial. Logo que pode a conduziu ao Sacerdote para juntos receberem o sacramento da reconciliação e a bênção da casa. Que escolha maravilhosa foi a do marido que possibilitou o bem, a vida, e a felicidade! Que escolha maravilhosa foi a última dessa mulher que possibilitou a reconciliação, a alegria e a vida daquela família!
Queridos leitores! O Espírito de Deus está dentro de nós todos. Ele nos coloca diante do trabalho e da preguiça, do bem e do mal, da vida e da morte, da felicidade e da infelicidade, do perdão e da condenação, do pensar bem e pensar mal. O Espírito Santo fará tudo para nos conduzir no caminho da vida e da felicidade, mas não poderá escolher por nós. Jesus já garantiu a nossa vida e felicidade. Portanto, viver ou morrer, ser feliz ou infeliz depende da cada um de nós e não da sorte ou do azar, como muitos pensam.




Pe. Arlindo Toneta – MI
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais – PR
padretoneta@yahoo.com.br

Refl. Ev. 1236 (Mc 8,14-21) 18/02/14


Cuidado com o tipo de fermento que compramos.

Os discípulos se esqueceram de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. Percebendo, Jesus perguntou-lhes: “Por que discutis sobre o fato de não terdes pães? Ainda não entendeis, nem compreendeis? Vosso coração continua endurecido? Tendo olhos, não enxergais, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais? Quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas, quantos cestos recolhestes, cheios de pedaços?” – “Doze”, responderam eles. “E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos recolhestes, cheios de pedaços?” – “Sete”, responderam. Jesus então lhes disse: “E ainda não entendeis?” (Mc 8,14-21).

O Fermento e a Padaria de Deus

Diante dos discípulos que esqueceram de levar pão, Jesus aproveita a oportunidade para falar um pouco da questão do fermento. Não do fermento com o qual se leveda o pão, como os discípulos estão pensando. Ele habilmente usa as questões humanas e estomacais para ensinar sobre as necessidades fundamentais da vida cristã (cf Mc 8,14-21).
No meio das discussões dos discípulos a respeito dos pães que esqueceram, Jesus se apresenta de alguma forma, como o verdadeiro pão descido do céu. Ele é o pão verdadeiro, cheio do fermento do Amor, que está no meio deles, que está no barco com eles para nutri-los na sua fome mais profunda, mas que eles ainda não perceberam com nitidez, apesar de todos os milagres já realizados diante dos seus olhos viciados no superficial.  
Quantos católicos, em nossos dias, entram em desespero e fortes discussões diante da diminuição do pão material, da mesma forma como ocorreu com os discípulos de Jesus! Não se dão conta do verdadeiro pão que desceu do Céu que está sempre com eles, particularmente nos momentos de crise e escassez do pão material. Estão com o estômago dilatado, para o pão material, e o coração apertado para o pão espiritual.
Não compreendem ainda a provação, mencionada na primeira leitura de hoje, tirada da carta de Tiago, onde se diz: “Feliz o homem que suporta a provação. Porque uma vez provado receberá a coroa da vida” (Tg 1,12). Como precisamos crescer na fé para encarar assim as dificuldades e provações! Oxalá que neste ano de 2014 façamos passas significativos nessa direção!
Jesus aproveita ainda para ensinar os seus a respeito do fermento de Herodes e dos fariseus. Fermento cheio de maldade, de ganância e hipocrisia. Quantos discípulos de Jesus estavam cheios desse fermento e do pão que resulta dele. Por conta disso, muitos discípulos tinham dificuldades de ver a novidade trazida por Jesus. Estavam viciados com aquele fermento e aquele pão estragado da hipocrisia, da ganância, da maldade, da disputa dos primeiros lugares, etc.
Por isso, Ele os adverte desse fermento estragado e do pão da hipocrisia e da ganância. Creio que Jesus continua advertindo, em nossos dias, a muitos de nós que frequentemente caímos na tentação de comprar o fermento e o pão dos fariseus e herodes dos nossos dias.
Quantos católicos continuam nutrindo-se generosamente com esse pão estragado e nutrem-se com muita tacanhice com o pão do Céu, que está sempre conosco! Quantos pais e professores continuam vendendo aos filhos e alunos esse perigoso fermento! As suas mentes e corações são fermentados com as ideias do egoísmo, da maldade, do levar vantagens sobre os outros, do passar os outros para trás, do eliminar os inimigos, do excluir os pobres, etc. Quantas padaria e lojas vendem esse fermento e esse pão que corrompe e estraga a juventude e a sociedade brasileira!
Por conta disso, somos uma sociedade enfraquecida, uma Igreja sem ânimo e vibração. Temos casais, jovens e padres mornos e não animados e aquecidos pelo fermento e pão do Céu, que são Jesus e o seu Evangelho.  Sinais disso emergem sempre que dizemos não a Deus e ao seu projeto de amor e bondade. Sempre que optamos pelo comodismo em detrimento do serviço amoroso aos demais.
Por outro lado, anima-nos muito os sinais positivos. Quantos católicos e sacerdotes! Quantos jovens e professores que generosamente dizem sim a Deus a exemplo de Maria e dos Santos! Compram o bom fermento e o pão saboroso para nutrir os seus com generosidade! Louvado seja Deus!
Um exemplo bonito disso foi o nosso retiro de Jovens desse fim de semana. Cinquenta jovens animados por uma porção de casais e jovens disseram sim a Deus. Aceitaram o convite dEle e por três dias estiveram ouvindo e acolhendo o fermento de Jesus a fim de poderem alimentar-se melhor do verdadeiro pão do Deus, que é Jesus. Parabéns queridos jovens e queridos casais!




Pe. Arlindo Toneta – Pároco –
Paróquia N. Sra. da Boa Esperança – Pinhais - PR