terça-feira, 7 de julho de 2015

Dia 07

O nosso querido Camilo nos aponta o caminho do Céu dizendo: "Devemos estar bem unidos a Deus: Pensar bem, falar bem, operar bem. Com efeito, a primeira obra que abre ao homem a porta do paraíso é pensar bem. A segunda é falar bem. A terceira é agir bem. Estas três coisas fazem o homem entrar no Paraíso pela divina misericórdia" (São Camilo).
Ocupar a nossa cabeça com bons pensamentos é de fundamental importância. Muitas pessoas ficam o dia todo pensando negativamente. Ficam impregnando a cabeça com pensamentos de vingança, com condenações, com a sua incapacidade, que ninguém as ama, que não vão conseguir, que o marido as trai ou vice-versa, que os outros falam mal delas, que o patrão vai mandá-las embora, que as pessoas são perigosas, que os homens são todos iguais, etc. Imaginem o que sai dessas cabeças que ficam cultivando esse tipo de pensamentos. Só pode sair porcaria e todo tipo de ações e falas negativas.
São Camilo, nos chama a curar a nossa cabeça cultivando pensamentos de bondade, que eu sou filho (a) de Deus, que eu sou capaz, que eu vou conseguir, que as pessoas são boas, que os outros querem o meu bem, que a minha esposa ou marido é bom mesmo que tenha seus defeitos, que o dia vai ser de muitas oportunidades para amar, os problemas são oportunidades para crescer e servir, que Deus me ama apaixonadamente com as minhas limitações e pecados, que Ele não me esquece e nem me condena,  etc. Imaginem quanto bem vai crescer nessa cabeça e em conseqüência quantas boas obras decorrerão, quantas falas maravilhosas fluirão dessa boca!
Eu ouso completar o pensamento de São Camilo e acrescentar um quarto elemento, que a meu ver, vem antes dos três apontados por ele. Trata-se de ler bem. Como é fundamental ler coisas boas que edificam a nossa mente e espírito! Quando falo em ler bem não entendo apenas ler bons livros, que é demais importante, mas, além disso, ler bem os fatos da vida, e todas as criaturas que nos rodeiam. A nossa mente é como um moinho. Quando colocamos dentro trigo, sai farinha de pão, se colocamos milho sai farinha de polenta, se colocamos pedras sai farinha de pedra. Quando lemos bem, estamos alimentando a nossa mente para que pense bem e consequentemente possamos falar bem e fazer bem.
Na prática, para isso, indico a leitura assídua da Palavra de Deus. Como faz bem à nossa Mente dedicar todos os dias um tempo para ler e meditar o Plano do Amor de Deus para conosco que foi escrito na Bíblia em prosa, versos, contos, hinos, salmos, cartas e parábolas! No início pode parecer difícil, mas com a perseverança e a confiança no Espírito Santo essa prática irá curar muitas mentes doentias e devolver-lhe a lucidez e a sabedoria para bem pensar e assim, poder agir melhor.

Convido a você mesmo continuar a reflexão a partir da frase de São Camilo. Você pode completar a minha reflexão acrescentando outros elementos que o seu olhar sarado lhe permitirá ver. 


Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia Nossa Sra. da Boa Esperança
Pinhais - PR 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Dia 06

O nosso querido Camilo, nos fala de conversão e deixa bem claro que: "Uma conversação na qual não se fale, quando possível, do amor de Deus, é como um anel sem diamante" (São Camilo).
Como tem gente que fala! Falam mal de um e de outro. Falam sem parar, a tal ponto, de não se conseguir um diálogo. Há pessoas que têm necessidade de falar e de falar. Falam da novela, falam da notícia do Jornal Nacional, falam do marido, falam da esposa, fazem piadas sobre sexo, falam de quase tudo e de todos. Qualquer coisa humana que aparece na pauta é motivo para falar. Parece que esse falar é uma espécie de válvula de escape de algo que as incomoda.
Por outro lado, quando se trata de falar do amor de Deus para os demais, entram caladas e saem mudas. Parece que não sabem ou não querem falar. Vivem no seu mundo religioso sem maiores comunicações com o mundo que as rodeiam. Pode indicar que não fizeram uma experiência pessoal do amor de Deus e por conta disso não são capazes de falar desse amor divino.
Camilo de Lellis afirma que as oportunidades de falar do amor de Deus às pessoas são numerosas. Podemos fazê-lo falando do nosso amor para com as pessoas, pois o nosso amor brota da mesma fonte, que é Deus. As nossas atitudes amorosas já são falas concretas do amor de Deus. Não podemos mais separar o amor de Deus de um lado e o amor humano de outro. Deus se encarnou numa pessoa humana para falar-nos do amor de Deus Pai. Com isso Ele mesmo falou-nos que podemos falar do amor de Deus com tudo o que somos, fazemos e falamos junto às pessoas e na intimidade com o Senhor.
Importa, portanto, que os pais não percam a oportunidade de falar do amor de Deus nas suas conversas com os filhos. É fundamental que os namorados falem do amor de Deus no seu namoro e os casais deem continuidade a essa comunicação amorosa. Não é suficiente o professor falar das ciências exatas para os seus alunos sem embasá-las no amor de Deus, autor último de todas elas. Não podem os sacerdotes falarem de muitas coisas que estudaram sem embasá-las no amor de Deus. É ineficaz uma visita a um doente sem falar do amor de Deus para com ele. Falar com os olhos, com os ouvidos, com as mãos, com a boca  e com todo o ser  desse amor manso e humilde, que o Evangelho de Mateus menciona (cf Mt 11,28-30).

Fazemos votos que S. Camilo motive a todos os que acreditam em Deus a se comunicarem com o maior número possível. Que essas comunicações sejam alianças à semelhança de anéis com pedras preciosíssimas, isto é, com a pedra do Amor de Deus. 




Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia Nossa Sra. da Boa Esperança
Pinhais - PR 

Dia 05

São Camilo continua vivo no coração de Deus e falando a todos os que tiverem boa vontade. Eis uma fala importante: "Vamos ter confiança em Deus. Ele provê o necessário a todos, até às formiguinhas da terra" (São Camilo).
Olhando para a realidade encontro muita gente cristã que não possui essa confiança em Deus manifestada por São Camilo. Quantos católicos que entram em parafusos quando perdem o emprego e devem rever os seus hábitos por causa da redução da renda! Quantos que se julgam injustiçados por Deus quando acometidos por alguma doença! Onde está a confiança em Deus nesses momentos? Ter confiança quando tudo vai bem é muito fácil.
São Camilo chama-nos para depositar em Deus toda a confiança. Ele certamente tinha razões humanas para se perturbar fortemente diante das grandes dívidas da sua Ordem. Às vezes chegava a faltar pão para alimentar os seus religiosos. Apesar disso, confiava na providência e na hora chegava alguém para suprir as suas necessidades.
Além disso, tinha muitas razões para se revoltar contra Deus com as suas cinco chagas, mas nada disso aconteceu. Preferiu chamá-las: As cinco misericórdias de Deus, pois através delas aproximou-se mais ainda de Deus e do seu povo sofredor.  Ele depositava toda a confiança em Deus e nunca foi abandonado. Confiava em Deus como o filho confia na sua mãe. O filho refugia-se no colo da mãe e o cristão encontra o seu refúgio em Deus, nos ensina o Santo da Caridade para com os enfermos.
Essa confiança liberta-nos mais para amar melhor. Nos deixa menos estressados com a vida e seus desafios. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance, mas confiamos como se tudo dependesse de Deus, como de fato, depende. Confiemos, portanto, em Deus e a paz voltará ao nosso coração.

Vamos trabalhar como se tudo dependesse somente de nós. Por outro lado, confiemos em Deus à semelhança dos pequeninos que confiam nas suas mães. 






Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR 

Dia 04

O nosso Pai Camilo, continua pensando em nossos dias e nos diz: "Tudo o que fomos, que somos e seremos, tudo vem da graça de Deus. Logo, quanta gratidão lhe devemos!" (São Camilo).
Olhando para a nossa realidade brasileira, sobretudo familiar e educacional, noto uma falta enorme de gratidão. Vejo os filhos que desaprenderam a dizer muito obrigado aos pais pelo esforço quotidiano para prover o seu sustento e formação. Parece que os filhos entendem que é apenas um direito deles de receber e receber sempre mais. Falta a educação para a gratidão.
Entrando na escola, nos deparamos com uma profunda falta de respeito para com o professor. Mais uma vez o aluno se acha no direito de receber, mas lhe falta a contrapartida do agradecimento e respeito ao professor.
Para destacar apenas um campo onde a nossa constituição legisla, no que tange à saúde, ela afirma que a saúde e um direito do povo e um dever do Estado. Não se empenha a dizer que a saúde é um dever de cada cidadão, em primeiro lugar, e que o Estado entra para subsidiar o que o indivíduo não consegue. Com isso tudo, vai se criando uma mentalidade de direitos, ignorando-se os deveres de cada um de nós.
Numa sociedade, sempre mais laica, onde se rejeita a Deus como doador de todos os bens e se coloca o homem como autor do seu destino, o espírito de gratidão anda um tanto comprometido.
Diante dessas sombras apontadas no que tange à gratidão não quero ser pessimista. Vejo, por outro lado, em menor número, famílias, alunos, legisladores evangelizados e, por isso mesmo, com grande espírito de gratidão por todo o que são e possuem.
Nessa realidade fica o desafio da Nova Evangelização de plantar no coração das nossas crianças e jovens a semente da gratidão. No campo da saúde fica o desafio do pessoal da Pastoral da Saúde e dos Camilianos de gerar essa consciência de gratidão Evangélica e Camiliana na vida do maior número possível de pessoas.
Quero lembrar a todos que a gratidão não é apenas uma questão de etiqueta ou de bons modos, mas é uma questão evangélica e de saúde para as pessoas. As pessoas portadoras do espírito de gratidão são mais saudáveis dos que os não possuem essa dimensão.

A celebração do quarto centenário de São Camilo nos dá a oportunidade de viver a cada dia com grande entusiasmo, gratidão, e alegria, pois, tudo o que somos, temos e conquistamos é graças a Deus e aos irmãos e não apenas ao nosso esforço.





Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Dia 03



"Deus está conosco, vamos para frente! A vida é um dom, é um talento que precisamos empregar bem. Devemos colocar no Céu todas as nossas esperanças e todos os nossos desejos" (São Camilo).
O nosso gigante da caridade lembra-nos que Deus está conosco. Ao contrário dos que pensam que estão sós e abandonados, São Camilo, nos ensina que Deus está sempre conosco.  Em Jesus, Deus se fez humano para mostrar-nos que ele está conosco. Ele é, portanto, Emanuel, isto é, Deus conosco.
Sobretudo, nos momentos mais difíceis da vida ele caminha conosco. Para nos assegurar disso, basta ver a ação pastoral de Jesus de Nazaré, que procurava estar perto dos doentes e dos pecadores. Estava perto para sarar e curar e jamais para julgar e condenar.
Parafraseando S. Paulo no discurso do Areópago, feito aos gregos, Camilo afirma que a nossa vida é um dom de Deus. Nele vivemos, nos movemos e existimos (cf At 17,28a). Dele viemos, nele nos movemos e somos. Como homens e mulheres de fé, não podemos mais ficar aí chorando solidão. Solidão é um papo de quem não tem fé.
Além disso, o nosso pai espiritual nos dá dicas de administração do maior bem que recebemos. Não podemos ser administradores irresponsáveis aplicando a vida em negócios furados, que não levam a nada e a ninguém.
Nesse sentido ouço tanta gente dizendo que a vida é para aproveitar. Aproveitar mesmo à custa da desgraça do outro e da outra. Esse é a forma de pensar dos egoístas e pecadores e não dos seguidores de Jesus. Claro que devemos apreciar e desfrutar dos bens deste mundo, mas jamais prejudicar a nós e a terceiros. Devemos investir toda a nossa vida na busca de fazer bem. Fazer bem a nós e ao outro. Fazer bem, sobretudo àqueles que não aprenderam a amar. Em outras palavras, investir o dom da nossa vida no banco do Céu. 

Que São Camilo nos ajude a colocar todos os nossos sonhos e esperanças em Deus e não em projetos fúteis e perigosos!







Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Dia 02

Os santos refletem, rezam e trabalham em busca de um mundo melhor. Acima de tudo fazem experiência de Deus. A partir dela se posicionam no mundo com suas dificuldades e procuram dar o melhor de si. Não ficam apenas nas críticas negativistas, como quem não experienciou a Deus, mas dão a sua vida para ajudar as pessoas.

Nesse sentido Camilo afirma: "Temos recebido a vida das mãos de Deus, temos então a obrigação de dá-la por Ele! Eu daria mil vidas por Deus e pela fé, e tenho inveja daqueles que podem oferecer o seu sangue por Cristo e pela fé católica. De boa vontade daria meu sangue pela salvação das pessoas" (São Camilo).

Aí vai mais um pensamento do gigante da caridade, que ainda vale para os nossos dias. Ele, consciente que recebeu a vida de Deus, consagra-se inteiramente a serviço dEle e dos filhos de Deus, mais necessitados. Não guardou a vida para usá-la egoisticamente, mas entendeu que a vida era um bem do Céu para consagrá-la na edificação do Reino de Deus aqui na terra.

Para o mundo do sofrimento levou a sua vida com o intuito de minorar a dor e o abandono. Fez-se presente, dia e noite para manifestar o amor de Deus nos hospitais e casas. Deu-se até o limite das suas forças, apesar de portador de diversas doenças.  Não ficou apresentando as suas dores como justificativas para não fazer nada, como muitos de nós fazemos. Ao contrário, com as suas doenças,  procurou levar soluções onde havia carências e abandono.

Do Céu, São Camilo convida a cada um de nós a também consagrarmos a nossa vida a Deus e a serviço dos nossos semelhantes. Na medida em que experimentamos a Deus, percebemos que a vida é um presente do Céu para reparti-la com a esposa, com o marido, com os doentes e com a comunidade. Na sua opção vocacional cada pessoa pode dar o melhor de si, sem achar que a opção do outro é a melhor.


Peçamos a graça de sempre mais pessoas descobrirem essa mina da caridade junto aos sofredores.  






Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR 

Mês de Julho, mês dos Camilianos

Hoje iniciamos o mês de julho, mês de São Camilo de Lellis, o fundador dos padres e religiosos camilianos. Portanto, ele é o nosso pai espiritual. Queremos, em sintonia com a nossa Igreja, venerá-lo e propô-lo como modelo de caridade junto aos doentes e sofredores. Não o propomos para ser adorado, como dizem alguns dos nossos irmãos evangélicos, mas para ser imitado na sua exemplar caridade junto aos doentes e sofredores.

Ele foi nomeado patrono dos hospitais e profissionais da saúde pelo papa Leão XIII, junto com São João de Deus.  

Por isso, no decorrer deste mês, veicularemos alguns pensamentos desse gigante da caridade que viveu no século XVI, mas ainda hoje vive, em espírito e verdade, no coração dos camilianos e de milhares de profissionais e agentes da pastoral da saúde espalhados pelo mundo afora. Divulgaremos alguns dos seus pensamentos e os comentaremos, com o intuito de facilitar o acesso à sua espiritualidade.

"Hoje Deus quer de nós obras de caridade. Não seria boa aquela piedade que cortasse os braços da caridade. Enquanto o tempo é nosso, é de suma perfeição fazermos o bem aos pobres, e, se for necessário, ajudemo-los, deixando Deus por Deus porque não nos faltará o tempo para contemplá-lo no Paraíso. Ai de nós, porém, se esquecêssemos de que devemos sempre orar! Se nos limitássemos àquela breve hora de oração da manhã e depois vagássemos o dia todo em ocupações com a mente distraída, no fim do dia achar-nos-íamos com as mãos cheias de moscas e de vento..." (São Camilo).

Camilo expressa com esse pensamento a prioridade absoluta da caridade. Não lhe agradam em nada aquela piedade e oração que distanciam a pessoa dos doentes e dos seus cuidados. A oração deve ser combustível do bom para conduzir aquele que reza à caridade concreta. Além disso, o verdadeiro piedoso procura a vontade de Deus o dia todo e não apenas em alguns momentos de oração, que muitas vezes são palavras vazias.

Na dúvida entre rezar e o exercício da caridade junto a um doente realmente necessitado, Camilo de Lellis, não deixa margem para a dúvida. Ele manda priorizar o ficar perto do Deus encarnado atendendo-o nas suas necessidades e demandar a ação contemplativa para o Céu, pois lá teremos muito tempo para isso. Aliás, no Céu não haverá mais tempo, mas sim a eternidade.

Com isso não há nenhum desprezo pela oração. Camilo destaca, sobretudo, para os camilianos, a urgência da caridade junto aos que sofrem. Se for necessário sacrifique-se a oração em favor da caridade, pois é ela que nos abrirá as portas do Paraíso. Além disso, Camilo orienta os seus seguidores a trabalhar rezando e rezar trabalhando, ou seja, a buscar em todos os momentos a vontade de Deus.


Que o espírito de amor aos doentes atinja você também é o meu voto!






Pe. Arlindo Toneta  -  MI
Pároco da Paróquia N. Sra. da Boa Esperança  - Pinhais - PR